Olá, bom te ver aqui no Emociona-te: um espaço para quem trabalha ou pesquisa Educação Socioemocional (ESE/SEL) e quer ir além do senso comum sobre o tema.

Sou Thayanne Lima, psicóloga de formação, mestra em Educação, com especializações em Neuropsicologia e Design Instrucional. Trabalho com ESE desde 2016, com experiência em escolas, empresas e na formação de professores, e acredito que o desenvolvimento socioemocional é um campo sério — com conhecimento, história e complexidade próprias.

Aqui você vai encontrar reflexões, referências e análises sobre ESE/SEL no Brasil e no mundo: políticas públicas, modelos teóricos, práticas em contexto escolar e corporativo, e o que as pesquisas dizem sobre o tema.

Meu compromisso é com a consistência das informações: sem reducionismos ou fórmulas prontas. Se você trabalha com educação, psicologia ou pesquisa e quer um olhar crítico e fundamentado sobre ESE, o conteúdo por aqui foi feito pensando em você.




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Programas de Educação Socioemocional parecem precisar de tempo para produzir impacto no desempenho acadêmico de estudantes.

Uma meta-análise recente reuniu dados de 33.737 estudantes do 1º ao 12º ano em programas universais de SEL para analisar o efeito dessas intervenções no desempenho acadêmico.

O efeito global sobre o desempenho acadêmico foi pequeno (g = 0,10), mas consistente.

Um achado que chama atenção:
📌 Programas com até 4 meses não tiveram efeito significativo no desempenho.
📌 Programas com mais de 4 meses produziram efeitos bem maiores - além de serem os únicos a apresentarem efeitos significativos.

A gente costuma avaliar socioemocional como intervenção pontual — algumas semanas, um semestre. A literatura segue apontando o contrário: continuidade e integração ao cotidiano escolar parecem ser condições para que os ganhos cheguem ao acadêmico.

Dois cuidados necessários ao ler esses achados:
📌o efeito global, mesmo significativo, é bem pequeno.
📌E a heterogeneidade entre estudos foi bem alta (I² = 85,6%). Isso significa que existe uma variabilidade enorme entre os estudos considerados, o que pede cautela na interpretação dos resultados.

Achei bacana compartilhar esse artigo recente, considerando que essa relação é sempre muito mencionada quando falamos em socioemocional.

Na sua experiência, você enxerga relação entre tempo e ganhos?

Imagem: gerada por IA
📌Referência: Ha, C., McCarthy, M. F., Strambler, M. J., & Cipriano, C. (2025). Disentangling the effects of social and emotional learning programs on student academic achievement across grades 1–12: A systematic review and meta-analysis. Review of Educational Research, 00346543251367769.

1 month ago | [YT] | 3

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Na última sexta-feira, tive a honra de realizar uma visita presencial ao Ministério da Educação (MEC) para uma conversa com Daiane de Oliveira Lopes, coordenadora de estratégia de Educação Básica.

Foram quase duas horas de diálogo sobre o papel do MEC na implementação de políticas educacionais e, especialmente, sobre a compreensão das competências gerais da BNCC — em particular aquelas frequentemente associadas ao campo socioemocional.

Ao longo da conversa, pude levar perguntas que atravessam meu percurso profissional, como:
• Como o MEC compreende a operacionalização das competências gerais da BNCC, em especial as lidas como socioemocionais, no currículo escolar?
• Existe algum referencial teórico específico recomendado para abordar essas temáticas no currículo?

Ouvir alguém “da casa”, com 19 anos de experiência, trazendo uma leitura consistente do cenário, foi extremamente enriquecedor.

O conteúdo dessa conversa será transformado em vídeos aqui no canal, voltados a quem atua com Educação Socioemocional e busca maior aprofundamento sobre o tema.

Se você tem interesse em compreender melhor a visão do MEC e suas intencionalidades nesse campo, vale acompanhar. Vem bastante conteúdo relevante por aí.

Por agora, deixo registrado meu profundo agradecimento por essa oportunidade, que marca de forma significativa a minha trajetória profissional.

3 months ago (edited) | [YT] | 3

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Se você trabalha com Educação Socioemocional — formando professores, facilitando grupos, dando aulas, formações ou criando materiais — tenho um convite para você.

Tenho produzido conteúdos no YouTube voltados a quem está na prática e quero qualificar ainda mais esse trabalho.

Por isso, estou realizando uma pesquisa breve (menos de 5 minutos) para entender:
– quem está atuando na área
– quais são os desafios reais da prática
– que lacunas ainda existem no campo
– que tipo de conteúdo e apoio seriam mais úteis

As respostas vão orientar os próximos conteúdos e o desenvolvimento de materiais mais alinhados à realidade profissional.

Se você atua com Educação Socioemocional, sua perspectiva é muito importante pra mim.

Fique à vontade para compartilhar com quem possa se interessar: forms.gle/drKp2LEMohrpeWqA8

4 months ago | [YT] | 3

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Começando o ano com uma leitura muito desejada. 📘

Tenho a edição anterior, de 2015, e sentia falta de algo mais atualizado. Dez anos depois, chega uma segunda edição repleta de mudanças importantes e muito conectadas com o contexto em que vivemos hoje.

Confesso que fiquei especialmente feliz ao ver, entre as perspectivas internacionais de Educação Socioemocional, um capítulo dedicado ao Brasil e à América Latina. Fiquei curiosa para conhecer a visão apresentada sobre um país tão plural como o nosso.

Alguns capítulos queria muito que tivessem existido na época do meu mestrado hihi. Mas o conhecimento é isso, puro movimento contínuo, em constante construção.

Que venham novos aprendizados para enriquecer os conteúdos de Educação Socioemocional que tenho a honra, e imenso prazer, de compartilhar.

5 months ago (edited) | [YT] | 3

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Uma fofoca acadêmica pra quem trabalha com emoções e uma reflexão para 'sextarmos' 😅

O paradigma das emoções está mudando, isso é fato. Nos últimos anos, a visão clássica das emoções básicas (representada especialmente pelo grupo do Paul Ekman) tem se enfraquecido cada vez mais, dando espaço para a abordagem construcionista das emoções (protagonizada especialmente pelo grupo da Lisa Feldman Barrett).

Esse movimento vem acontecendo desde a década de 90, mas diria que de 2015 pra cá está ficando cada vez mais rápido.

No mar de produções científicas relacionadas, esse ano um grupo de pesquisadores publicou um artigo defendendo que, na verdade, essas duas abordagens não se contradizem, mas se complementam. E assim defenderam sua hipótese.

Eis que a resposta veio rápido como um flash em uma publicação do grupo da Barrett. Em síntese, foi dito: parem de tentar conciliar o inconciliável. As suposições das abordagens não se conversam, partimos de fundamentos diferentes que exigem formas de avaliar distintas.

Na conclusão, o grupo sinaliza que avanços científicos devem ser devidamente considerados, mesmo quando colocam em dúvida crenças profundamente arraigadas.

Confesso que me impressionou o tom da resposta que, na minha percepção, soou meio indignado e cansado, do tipo: por favor, parem de tentar fazer isso porque só tá atrasando os avanços na área.

Bom, essa foi a fofoca, agora uma reflexão. Trabalhando na produção de conteúdo e formações em socioemocional, vejo o tempo inteiro as pessoas misturando essas duas teorias e tentando fazer com que elas se complementem.

Lembrei de uma conversa que tive com uma professora há alguns anos, quando comecei a ir mais fundo nas minhas leituras sobre emoções. Fui lendo as indicações dela e sentindo uma angústia enorme porque não estava chegando no mesmo raciocínio. Me questionava o que estava fazendo errado e mandei uma mensagem expressando minha angústia por estar aparentemente construindo um caminho diferente.

Sua resposta me marcou tanto que até hoje me volta à mente: "Thayanne, não há consenso, há muito debate. Eu te peço cautela, sempre vai ter discordâncias de gente grande. Eventualmente você vai ter que escolher um lado. Eu já matei minhas charadas, mas não quero te colocar para a forma como eu resolvi a equação - daqui a pouco você pode chegar, a partir das suas leituras, em algo completamente diferente de mim. Embora estudar seja bacana, cuidado pra não tentar criar consenso entre todo mundo, porque não vai existir".

Comecei a admirar ainda mais essa professora (e ainda admiro muito!), embora hoje tenha uma visão bem diferente da dela. Seu conselho me trouxe liberdade pra ousar construir minha estrada.

Se posicionar às vezes dói, causa angústia, pode até atrair alguns opositores. Também tem seus prós, nutre respeito e coerência no que você faz e em quem te acompanha.

Não acredito em caminho fácil, gosto de lembrar da fala gentil da professora quando bate aquela dúvida.
Recomendo a leitura da resposta para quem trabalha ou tem curiosidade sobre o tema: journals.sagepub.com/doi/10.1177/17456916251319045

10 months ago (edited) | [YT] | 3

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O que você está vendo não é apenas uma taça de vinho 👀.

Você sabia que a maneira como processamos algo nunca está isolada do conhecimento que acumulamos sobre ele ao longo da nossa história?

Cada categoria que aprendemos, sejam elas simples como essa taça, uma pizza; ou complexas, como dinheiro, amor, sonhos, são armazenadas pelo nosso cérebro de múltiplos modos, criando um conceito.

Um conceito é todo o conhecimento que você acumulou sobre determinada categoria (que pode ser uma palavra). Significa que tudo relacionado a ela, sempre que observado, será armazenado na memória consciente e inconsciente ao longo da vida.

Assim, quando você olha essa taça, uma série de elementos associados a ela estão conectados a como você a percebe: para que serve, quando e como usar, quem pode usar, o que geralmente faço com ela, sensações, emoções, a relevância que isso tem etc.

Os conceitos nos permitem identificar coisas no ambiente e representá-las na sua ausência, mas sua principal função é fornecer inferências a respeito dessas experiências. Mais do que saber que isso é uma taça, é útil saber como isso se relaciona com a nossa vida, como devemos interagir com isso, o quanto isso é relevante, o que devemos fazer etc.

Os conceitos podem ser acessados em diferentes níveis, a depender do contexto, necessidade, intensidade. Entretanto, eles sempre são acessados na nossa interação com o mundo de dentro ou de fora. Isso significa que entre você e essa taça, tem um tantão de inferências sendo processadas e usadas para que você possa ler e lidar com essa informação.

Acontece que conceitos não são fatos, são aprendizados, experiências e situações aglomeradas em uma mesma categoria de forma a dar sentido aos acontecimentos futuros mais rapidamente. Esse processo não precisa da nossa consciência, embora ela possa ser usada para modificar as categorias existentes.

Isso otimiza demais a nossa vida, mas também pode atrapalhar, quando neles aglomeramos informações que não são funcionais ou verdadeiras. Pode ser que tenham elementos misturados ali que estão atrapalhando a nossa vida…

Um exemplo macro são alguns estereótipos: associamos ao conceito de determinados grupos características genéricas que não lhe pertencem e tratamos isso como um fato, em vez de um aprendizado. As consequências são drásticas, né?

No âmbito micro, podemos associar ideias, sensações e outros elementos que dificultam a nossa interação. Alguém poderia se sentir extremamente desconfortável ao ver essa taça, por exemplo, e ter o humor afetado o resto do dia.

Um exercício bem bacana é pegar algumas palavras que costumam nos causar algum desconforto instantâneo ou inexplicável e explorarmos que tipo de informações conseguimos acessar do conceito que criamos sobre elas.

Como já dito, alguns elementos desses pacotinhos são inconscientes, mas esse exercício pode ajudar a trazê-los pra cá 😉.

Para praticar, você pode escolher palavras como: trabalho, comida ou calma. Se tiver dificuldade, comece por palavras mais concretas, como uma taça ou uma escola específica.

Faça perguntas como: O que “xxx” é pra mim? Pra que serve? Que pensamentos, memórias, experiências, sensações e emoções geralmente associo a isso? Que relevância tem na minha vida? O que é importante pra mim quando penso sobre isso? O que geralmente faço sobre isso? O que acredito que deveria fazer?

Depois disso, tente avaliar elementos nesse conceito que talvez não façam sentido de permanecerem ali, mesmo aqueles que te dão a sensação de que sempre fizeram parte do que ele é.

Esse é apenas um exercício, entre ele e uma mudança concreta existe um processo. E tudo bem se precisar de alguém qualificado pra te acompanhar nele, tá?

Você deve ter percebido que a ideia aqui tá meio simplicada 😅. Se quiser aprofundar um pouco mais, recomendo o podcast gravado com o psicólogo e pesquisador Larry Barsalou, que estuda esse tópico já há bastante tempo: https://www.youtube.com/watch?v=gTzfL...

Imagem: Pexels

10 months ago (edited) | [YT] | 3