O canal História Local tem como objetivo principal compartilhar fatos históricos, compreendendo também aqueles relacionados a eventos locais e regionais, os quais auxiliam a compreensão e o conhecimento da historia em âmbito nacional e global. Pretendemos contribuir para a preservação da memória, não focado apenas em grandes personagens, datas e eventos históricos, possuímos como referência a nova historiografia que passou por grandes modificações metodológicas ao longo do século XX, permitindo maior conhecimento do cotidiano do passado através da incorporação de novos tipos de fontes de pesquisas.
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A "Carta Geografica del Bresil" é um mapa produzido em italiano, por volta de 1740.
O documento é integrante do acervo da Biblioteca Nacional e mostra o território dividido em Capitanias, descreve as regiões habitadas pelos diferentes povos indígenas e o curso de alguns rios.
Interessante é a análise na região sul do Brasil, onde praticamente todo o atual Estado do Paraná está localizado em território espanhol, sendo possível verificar a Cidade Real del Guairá (hoje município de Terra Roxa), o rio Paranapanema e as reduções jesuíticas de Nossa Senhora do Loreto (hoje município de Itaguajé) e San Ignácio Mini (hoje município de Santo Inácio) ao lado esquerdo do Tratado de Tordesilhas, limite representado pela linha verde.
Na área litorânea constatamos que o território sob o domínio português se limitava ao litoral de São Paulo, próximo ao rio Itanhaém
4 years ago | [YT] | 4
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As imagens dizem respeito a escavação arqueológica do Sambaqui de Matinhos, litoral do Paraná, que teve duas etapas de estudos relevantes. A primeira foi realizada por José Loureiro Fernandes, entre os anos de 1942 e 1947, o qual acompanhou a sua exploração comercial, realizou seus estudos e coletas no momento em que o sambaqui estava sendo desmontado pela Diretoria de Obras e Viação do Estado do Paraná. Entre as décadas de 1930 e 1950 dezenas de Sambaquis foram transformados em cal e utilizados na pavimentação de vias por aquele órgão. Loureiro Fernandes que também foi o fundador do Departamento de Antropologia e do Centro de Estudos e Pesquisas Arqueológicas da Universidade Federal do Paraná, constatou que o Sambaqui possuía aproximadamente dez metros de altura, dividido em três camadas (superficial, central e profunda), de onde exumou e estudou vinte esqueletos humanos, além de outros artefatos líticos e ósseos.
No segundo momento, o Sambaqui já em um estado de degradação avançado, foi escavado por Igor Chmyz e João Carlos Gomes Chmyz, no ano de 1977, quando foram acionados pelo proprietário do terreno, Sr. Jorge Antonio Heil, que ao realizar o trabalho de modelagem e abertura de valas para alicerces, constatou que ossadas humanas haviam aflorado juntamente com conchas e ossos de peixes. Estes estudiosos constataram "fogões" de pedras com alguns ossos de peixes carbonizados, carvões e mais um conjunto funerário constituído por um esqueleto adulto e o esqueleto de uma criança, estando este depositado sobre o braço esquerdo e ao lado do tronco do adulto. Na parte frontal do crânio infantil foi constatada uma anomalia, tal evidência levou os pesquisadores a concluírem que este individuo foi golpeado em vida, com objeto de ponta rombuda.
Dentre os materiais líticos e ósseos encontrados destacam-se talhadores, percutores (bigorna, abrasador e alisador), quebradores de coquinhos, dentes de tubarão e vértebras de peixes perfuradas, ossos de animais terrestres e pontas de flechas, tudo isto "submerso" nas conchas de Anomalocardia brasiliensis, Ostrea e Lucina. As pontas de flechas foram encontradas somente nos estratos superiores, isto indica que no Sambaqui houve superposição de povos, ou seja, os que detinham as flechas não foram os mesmos grupos que iniciaram sua construção. Chmyz ressalta que amostras de rochas foram coletadas para datação através do método da termoluminescência (TL), processadas pelo Instituto de Física da Universidade de São Paulo, fornecendo a data da base do Sambaqui aproximada de 2.750 A.P (Antes do Presente) ou aproximadamente 800 a.C.
REFERÊNCIA:
CHMYZ, Igor; CHMYZ, João Carlos Gomes; SGANZERLA, Eliane Maria. Novas Contribuições para o Estudo do Sambaqui de matinhos no Estado do Paraná. UFPR, Curitiba, 2003.
4 years ago | [YT] | 6
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Custódio José de Melo foi um dos responsáveis pela renúncia do primeiro presidente da República do Brasil, Exmo. Sr. Marechal Deodoro da Fonseca.
Logo após ser eleito indiretamente pelo Congresso Constituinte em 1891, o presidente Deodoro teve forte oposição política, tentavam aprovar leis a fim de reduzir o seu poder, como medida, Deodoro decretou o estado de sítio, dissolvendo o Congresso, prendendo lideres oposicionistas e censurando a imprensa.
No dia 23 de novembro de 1891 o almirante Custódio de Melo acionou o Encouraçado Riachuelo, a bordo desta embarcação, ameaçou bombardear a cidade do Rio de Janeiro, então Distrito Federal, caso o presidente não renunciasse, Marechal Deodoro cedeu as pressões e anunciou a renúncia passando o poder ao vice-presidente Marechal Floriano Peixoto.
4 years ago | [YT] | 5
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Em 2003, o filósofo e escritor Olavo de Carvalho, escreveu à Folha de Londrina sua opinião sobre os jovens paranaenses, o conteúdo foi reproduzido em 2018 no livro "O mínimo que você precisa saber para não ser um idiota", confira a transcrição:
Folha de Londrina, 26 de abril de 2003.
Num livro já antigo, Wilson Martins escreveu que o Paraná era “um Brasil diferente”. Tenho comprovado isso, repetidamente, desde que comecei a dar aulas neste Estado, dois ou três anos atrás. Os brasileiros de hoje são tagarelas e preguiçosos: não estudam nada e opinam sobre tudo. Os estudantes paranaenses são notavelmente mais humildes e interessados em aprender.
A importância da humildade no aprendizado já era enfatizada, na Idade Média, por Hugo de São Vítor, um dos maiores educadores de todos os tempos. Humildade significa, no fundo, apenas senso do real. O culto universal da juventude obscureceu essa verdade óbvia ao ponto de que todo mundo já acha natural esperar que, aos quinze ou dezoito anos, um sujeito tenha opiniões sobre todas as coisas e, miraculosamente, elas estejam mais certas que as de seus pais e avós. O resultado dessa crença generalizada é desastroso: todos os movimentos totalitários e genocidas dos últimos séculos — comunismo, nazismo, fascismo, radicalismo islâmico, etc. — foram criações de jovens, e sua militância foi colhida maciçamente nas universidades.
O culto da juventude traz, como um de seus componentes essenciais, o desprezo pelo conhecimento: se ao sair da adolescência o sujeito já traz na cabeça todas as ideias certas, para quê continuar estudando?
No Brasil, esse preconceito arraigou-se tão fundo, que já parece impossível extirpá-lo. O efeito disso é que milhões de jovens, incapacitados para perceber as mais óbvias realidades, se creem investidos do direito divino de julgar todas as coisas, homens e fatos. Além do conhecimento, falta-lhes às vezes até aquele mínimo de integração da consciência, sem o qual um sujeito não pode sequer argumentar de maneira razoável. Sua pretensão arrogante contrasta tão deploravelmente com a sua falta de recursos intelectuais, que nenhum educador dotado de bom senso se aventuraria a lhes ensinar o que quer que fosse.
Raríssimos estudantes, hoje em dia, sabem distinguir princípios gerais de tomadas de posição sobre acontecimentos específicos. Adotam uma opinião sobre isto ou aquilo, sobre o homossexualismo, sobre a guerra no Iraque, e fazem dela imediatamente um princípio universal, extraindo dela conclusões que desmentem os próprios princípios da lógica ou do direito nos quais, não obstante, continuam se baseando para raciocinar sobre tudo o mais. A “autodeterminação dos povos”, por exemplo, é usada para justificar a soberania de Saddam Hussein, ao mesmo tempo que se deixa de aplicá-la à minoria curda, sendo quase impossível mostrar ao falante que há aí uma contradição. Em casos como esse, uma opinião política singular se sobrepõe de tal modo aos princípios fundantes do próprio raciocínio, que uma pessoa neurologicamente normal acaba tendo o desempenho cerebral de um mongoloide. Outro dia encontrei na internet um site de jovens homossexuais que demonizavam os EUA, terra de promissão do movimento gay, e defendiam entusiasticamente as ditaduras islâmicas, nas quais o homossexualismo é crime punido com a morte. Na antiga retórica greco-latina, isso chamava-se “argumento suicida”, como no caso de um judeu que fizesse propaganda nazista.
O argumento suicida era tão raro que os manuais de retórica mal o citavam. Hoje em dia, tornou-se a coisa mais comum do mundo e, nas falas de estudantes brasileiros, quase um paradigma. Os exemplos que citei são só dois entre milhares. Quanto mais lisonjeada por pais e educadores, mais a juventude se torna estúpida e incapaz, anunciando uma maturidade de ressentidos, fracassados e invejosos.
Tenho me defrontado com esses tipos no Brasil inteiro, mas garanto: entre os estudantes paranaenses o número deles é bem menor. Não sei como explicar esse fenômeno. Não conheço a história cultural do Estado ao ponto de arriscar alguma hipótese. Apenas assinalo o fato e reconheço ver nele um raro sinal de que, para a cultura deste país, nem tudo está perdido.
O que você pensa sobre a opinião do autor?
4 years ago | [YT] | 7
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