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O MAIS BELO DOS BELOS • Capí 19
#ÚltimosCapítulos

escrita e criada por:
PEDRO RABELO

supervisão de:
EDGAR OLIVEIRA
VANESSA COUTO

direção geral:
DIOGO ITAMAR

abertura: https://youtu.be/wf1y11VAJqc?is=sB_TJ...

🥁🎙️🪇🥁🎙️🪇🥁🪇🥁🪇🥁🪇🥁

CENA 01-LOJA AXÉ E ARTE/ INTERIOR-NOITE

Fabiula está com a carta misteriosa na mão, aquela que fala sobre o "passado no cofre". Tito está andando em círcu-
los, roendo as unhas.

TITO: Ô, mana, eu não aguento mais, não! Esse perfume no papel... eu conh-
eço esse cheiro,viu? É o mesmo daque-
la mulher que vive grudada no Prefeito!

FABIULA (arregala os olhos): A Patrí-
cia? A mulher de Carlos? Oxente, por que ela estaria mandando dinheiro pra você e mandando a gente investigar Lúcia?

TITO: Será que ela quer derrubar Lú-
cia usando a gente de bucha de canhão
? Ave Maria, Fabiula, eu sou muito jovem pra ser espião internacional, visse? Eu só queria dançar, meu rei!

FABIULA: Cala a boca, Tito! Se Patrí-
cia está jogando contra Lúcia, ela é nossa "amiga" por conveniência. Mas o dinheiro... por que ela te deu o valor dos cobradores? Alguma coisa ela quer de você em troca, pode esperar.

CENA 02-RUA DO PELOURINHO- NOITE

O carro de Renata está parado em um beco. Lorenzo está dentro, trêmulo.

RENATA: Lúcia quer que você assuma a culpa pelo incêndio, Lorenzo. Você já estava bêbado, já estava operando o trator... vai ser fácil convencer o juiz que foi um "acidente" causado pela sua negligência.

LORENZO: Eu não vou pra cadeia por um crime que eu não cometi! Eu já per-
di minha mulher e meus filhos por cau-
sa de vocês, desgraça!

RENATA (encosta uma faca na costela dele): Se você não for pra cadeia,você vai pro cemitério. Escolha. Lúcia paga uma pensão pros seus filhos se você assumir. Se você abrir o bico contra a gente, eles ficam órfãos de pai e mãe. Entendeu ou quer que eu desenhe?

Lorenzo chora, sem saída. Ele é o saco de pancadas das vilãs.

CENA 03-HOSPITAL/QUARTO DE SARA-NOITE

Sara acorda, muito fraca. Jorginho e Alice estão ao lado dela.

SARA (voz rouca): Alice... eu vi... eu vi quem riscou o fósforo.

ALICE (se inclina): Quem foi, Sara? Me diz logo, por favor!

SARA: Não foi Renata... foi o motoris-
ta... o motorista da mansão. Mas ele estava no telefone... e ele disse: "Tá feito, Dona Renata".

Alice sente o sangue ferver. A prova que ela precisava.

CENA 04-MANSÃO BARROS BRITO
/BIBLIOTECA-NOITE

Lúcia entra e toma um susto ao ver Pa-
trícia sentada em sua poltrona, beben-
do seu melhor whisky.

LÚCIA: Patrícia? O que você faz aqui a essa hora, menina? E como entrou?

PATRÍCIA: As portas se abrem para quem sabe os segredos de quem mora dentro, Lúcia. Eu soube do incêndio. Foi um pouco "demais", não acha? Até para os seus padrões de perversidade.

LÚCIA: Não sei do que está falando. Foi um acidente elétrico no cortiço, deixe de onda.

PATRÍCIA (sorri): Claro. E eu sou a Rainha da Inglaterra, né? Escuta aqui, Lúcia: eu quero metade das ações do resort. Ou o bilhete que eu mandei pa-
ra Fabiula e Tito sobre o seu cofre vai virar uma denúncia formal com provas que eu mesma colhi.

LÚCIA: Você me traiu?

PATRÍCIA: Eu estou jogando o jogo, minha querida. E agora, ou eu sou sua sócia... ou eu sou sua ruína.

CENA 05-PORTA DA MANSÃO- NOITE

Alice e Lucas chegam na porta da man-
são. Alice está com um galão de água na mão (fingindo ser gasolina). Os seg-
uranças tentam barrar.

ALICE (gritando): RENATA! SAI AQUI FORA AGORA, SUA COVARDE!

Renata aparece na varanda, rindo.

RENATA: O que foi, Alice? Veio pedir emprego de faxineira ou tá querendo esmola?

ALICE (mostrando o galão): Você que-
imou o meu sonho, agora eu queimo o seu luxo! Se você não descer e confe-
ssar que mandou matar Sara, eu come-
ço por esse jardim e só paro quando não sobrar uma cortina dessa casa de pé!

LUCAS: Alice,para com isso,se acalma!

ALICE: Não, Lucas! Agora é olho por olho, dente por dente!

De repente, a polícia chega. Mas não para prender Alice. O Delegado Almeida desce do carro com uma cara de quem perdeu a guerra.

DELEGADO ALMEIDA: Dona Renata Azevedo... a senhora precisa vir comi-
go. O motorista Régis acabou de ser preso tentando fugir e ele entregou a senhora como mandante do incêndio.

CONGELA NO ROSTO DE RENATA PERDENDO A COR E ALICE SORRIN-
DO COM SANGUE NOS OLHOS.

FIM DO CAPÍTULO

2 days ago | [YT] | 12

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CENA 15-DELEGACIA-NOITE

DELEGADA: Precisamos ir atrás desse Caju! O Paco nos informou que era ele quem dava fim nas vítimas.

POLICIAL 1: Vamos!

POLICIAL 2: Vamos rápido!

DELEGADA: Chamem as viaturas e reportem aos outros; vamos cercar a área para que ele não fuja.

Eles saem.

CENA 16-PISTA-NOITE

Caju acelera o carro.

CAJU: Não vou me entregar mesmo. Agora estou rico, rico, rico!

Caju perde o controle do carro. O veículo capota várias vezes até pegar fogo. É possível ouvir os gritos de Caju por socorro. A imagem congela no rosto de Caju apavorado. Policiais cercam a área.

REPÓRTER: Estamos aqui, onde foi confirmada agora, nesse instante, a morte de Carlos Eduardo Lins, mais conhecido como Caju. Ele foi apontado como capanga do empresário Paco.

CENA 17-CASA DE MARILUZ –NOITE

Mariluz pega seu celular.

MARILUZ: Meu Deus!

JORGE: O que foi, amor?

MARILUZ: O Caju! Ele morreu. Pre-
ciso ir ver a minha mãe, ver se ela está bem.

JORGE: Espera! Eu vou com você.

MARILUZ: Vamos.

Eles começam a se vestir.

CENA 18-CASA DE MARILUZ- NOITE

Roberta está sentada no sofá com as vizinhas.

MADÁ: E como foi isso? Aquele canalha te bateu?

ROBERTA: Me espancou! Só não teve tempo de me matar, mas quase conseguiu.

FÁBIO: É um canalha mesmo. Tomara que agora queime no quinto dos infernos. E a Mariluz?

ROBERTA: Ela saiu para jantar, daqui a pouco deve estar aí. Minha filha está tão preocupada comigo.

Mariluz entra junto com Jorge.

MARILUZ: Mãe! Como você está? Aquele canalha te bateu?

ROBERTA: Eu estou bem, minha filha. Te devo desculpas por ter duvidado de você.

MARILUZ: Nada, mãe! Agora estamos livres daquele capeta.

Elas se abraçam.

CENA 19-APARTAMENTO DE EMMA-NOITE

Emma está assistindo televisão quando a campainha toca. Emma abre.

EMMA: Tia!?

MADALENA: Posso entrar?

EMMA: Claro!

Madalena entra.

MADALENA: Sei que você ainda deve estar com raiva de mim, mas vim pedir desculpas.

EMMA (Triste): Você me magoou muito, tia. Mas eu te perdoo!

MADALENA: É sério?

EMMA: Claro! Agora me dá um abraço.

MADALENA: Vem cá! (Sorrindo)

As duas se abraçam.

Trilha Sonora On: https://youtu.be/j13e3Ugq03I

DIAS DEPOIS...

• Pérola é enterrada.

• Emma e Renato marcam o casamento.

• Os órgãos de Pérola são doados e salvam vidas.

• Chega o dia do casamento de Mariluz e Jorge.

Trilha Sonora Off.

CENA 20-RANCHO DAS FLORES- MANHÃ

Todos estão no casamento.

PADRE: Maria da Luz, você aceita Jorge como seu legítimo esposo?

MARILUZ: Sim! (Feliz)

PADRE: Jorge, você aceita Maria da Luz como sua legítima esposa?

JORGE: Sim! (Emocionado)

PADRE: Eu vos declaro marido e mulher. Podem se beijar!

Mariluz e Jorge se beijam.

EMMA: Em breve seremos nós, meu amor.

RENATO: É! Mal posso esperar.

Eles se beijam.

CENA 21-CEMITÉRIO-MANHÃ

Patrícia está no túmulo da filha junto com seu marido. Eles colocam flores.

PATRÍCIA: Eu te amo para sempre, minha anjinha.

ARMANDO: Descanse em paz, meu amor.

Eles se abraçam, chorosos.

CENA 22-PRESÍDIO MASCULINO- MANHÃ

Paco aparece tomando sol.

DETENTO 1: A donzela está tomando sol, é?

PACO: Me deixa! Eu não quero brigar.

DETENTO 2: Que pena! Porque eu quero.

PACO: Para! Me deixa, sai daqui.

Os detentos iniciam uma briga com Paco. Eles trocam socos; Paco grita por socorro.

DIAS DEPOIS...

CENA 23--APARTAMENTO DE ANDRESSA-MANHÃ

Trilha Sonora On: https://youtu.be/zCBPPFmcAoc

Andressa e Kauã estão tomando café com Bárbara.

ANDRESSA: Estou tão feliz de estar com vocês aqui.

KAUÃ: Eu também, meu amor.

BÁRBARA: Vocês são tão fofos juntos.

ANDRESSA: Estava pensando em viajar. O que vocês acham?

KAUÃ: Eu topo!

BÁRBARA: Eu também!

Eles sorriem.

Trilha Sonora Off.

CENA 24-CASA DE BEATRIZ- MANHÃ

Beatriz aparece lendo um jornal.

BEATRIZ: Aquele capanga do Paco morreu. O Paco deve estar sofrendo horrores na cadeia. (Rindo)

RENATO: Mãe! A gente precisa conversar.

BEATRIZ: Ah, meu filho! Se for mais uma das suas tolices, me poupe!

RENATO: Eu e a Emma vamos nos casar.

BEATRIZ: Hã!? Como assim? Você só me comunica isso agora?

RENATO: A gente queria te chamar para ser madrinha.

BEATRIZ: Ah, me poupe! Você sabe o que eu acho desse relacionamento.

RENATO: Por favor, mãe.

BEATRIZ: Não!

Trilha Sonora On: https://youtu.be/_t1qQRb3mKU

UM MÊS DEPOIS...

• Davi está tentando superar a morte de Pérola.

• Leandra vive solitária.

• Beatriz sente falta do filho, que foi morar com Emma.

Chega o dia do casamento de Emma e Renato.

Trilha Sonora Off.

CENA 25-PRAIA-MANHÃ

Todos estão no casamento,muito felizes.

PADRE: Estamos aqui para celebrar a união de Emma e Renato. Emma, você aceita Renato como seu legítimo esposo?

EMMA: Aceito!

PADRE: Renato,você aceita Emma co-
mo sua legítima esposa?

RENATO: Aceito! Claro que aceito. (Emocionado)

PADRE: Eu vos declaro marido e mu-
lher. Pode beijar a noiva.

Trilha Sonora On: https://youtu.be/bjjC1-G6Fxo
Eles se beijam.

Minutos depois,Emma e Renato apare-
cem em outro cenário, um lugar lindo à beira-mar. Vemos Emma e Renato de mãos dadas,surpreendendo a todos com uma bebê nos braços.

RENATO (Narrando): Estrelas trazem um brilho único para acender e ilumi-
nar a vida das pessoas.

EMMA (Narrando): O amor traz vida e paz para a vida das pessoas.

~ FIM ~

2 days ago | [YT] | 4

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AMORES IMPERFEITOS • Capi 14
#reprise #ÚltimoCapítulo

escrita e criada por:
HELOÍSA RIBEIRO
E ADÃO VITOR

supervisão de:
ADGAR OLIVEIRA
FELIPE EMANUEL

direção geral:
DIOGO ITAMAR

abertura:https://youtu.be/N8nvS0euihs?is=2qyVr...

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CENA 01-GALERIA DE ARTES- MANHÃ

Trilha Sonora On: https://youtu.be/vtcBNdIq1ms

Davi e Pérola trocam carícias. A mesa em que estão está repleta de comida. Davi pega um anel.

DAVI: Pérola, meu amor! Você aceita se casar comigo?

PÉROLA (Feliz/Chorando): SIM! É claro que sim. Eu te amo, Davi.

DAVI: Eu te amo mais, minha estrela.

Os dois se beijam apaixonadamente.

Trilha Sonora Off.

CENA 02-APARTAMENTO DE EMMA-MANHÃ

Emma e Renato estão em pé. O silêncio predomina no local.

EMMA: Você deveria ter me contado tudo antes. Talvez agora eu não estive-
sse tão decepcionada como estou.

RENATO: Eu já te pedi desculpas, meu amor. Eu queria te contar, só que não deu tempo.

Madalena entra.

MADALENA: Minha querida! Eu trou-
xe aquele bolo de aipim que você ado-
ra. Está fresquinho, da feira. (Ela olha para Renato) Renato?

RENATO (Beija Emma): Bom, acho que já deu a minha hora. Amor, me liga depois.

Renato sai.

EMMA: Eu estou decepcionada com você,tia. Como pôde esconder por tanto tempo que eu e Jenifer somos irmãs?

MADALENA: Você precisa me ente-
nder,meu amor. Eu queria esperar o momento certo para contar.

EMMA: E qual seria esse momento certo? Hein? (Grita) Fala! Cadê a sua voz? Eu merecia saber a verdade, eu fui a enganada aqui.

MADALENA: Desculpa! Eu te peço perdão. Fui omissa em não te contar a verdade.

EMMA (Chorando): Não quero con-
versar agora. Saia, por favor!

MADALENA: Tudo bem, vou esperar o seu tempo.

CENA 03-RANCHO DAS FLORES/ FESTA-MANHÃ

Andressa permanece calada.

JORGE: Como você pôde fazer isso comigo,Andressa? Logo eu, que sem-
pre te amei, que estava apaixonado por você.

ANDRESSA: Eu posso te explicar.

JORGE: Me explicar o quê? Eu peguei vocês dois se beijando! Ninguém me contou, eu vi com meus próprios olhos. Você não presta.

KAUÃ (Com raiva): Ei, playboy! Segu-
ra a tua onda aí. Fui eu que beijei a Andressa. Ela não tem culpa de nada.

JORGE: Vai defender a amante sem-
vergonha, né? Você não vale nada, igual a ela.

Kauã dá um soco em Jorge. Andressa sai correndo. A briga se intensifica.

FÁBIO: Para onde você vai, Mariluz?

MARILUZ (Correndo): Não vou deixar essa covarde ir embora assim. Preciso impedir.

Mariluz vai atrás de Andressa e a segura pelo braço.

MARILUZ: Você não vai a lugar nenhum.

ANDRESSA: Me solta! Me solta, Mari-
luz, eu vou embora.

MARILUZ: Você não pode ir assim, es-
sa briga está acontecendo por sua cau-
sa. Se tivesse contado a verdade antes, nada disso teria acontecido.

ANDRESSA (Chorando): Eu sei que você é apaixonada pelo Jorge. Mas você não tem moral nenhuma para me julgar; você também ficou com ele.

MARILUZ (Envergonhada): Eu sei, Andressa! Ele é o amor da minha vida, eu errei sim em ficar com ele enquanto vocês ainda estavam juntos... mas você fez igual.

ANDRESSA (Soltando-se): Eu acho que a gente já causou dor demais para mim. Chega!

Andressa entra no carro e dá partida. Mariluz observa a cena. Fábio se aproxima.

FÁBIO: E agora? Como fica o clima aqui?

MARILUZ: Um dos piores climas. Acho que vou indo.

FÁBIO: Espera! Acho que o que você precisa agora é de um abraço.

Os dois se abraçam. Anoitece.

Trilha Sonora On: https://youtu.be/uZ9hB107AHs

DIAS DEPOIS...

• A doença de Pérola piora.

• Emma e Renato estão mais apaixona-
dos do que nunca.

• Paco é preso.

• Beatriz vai até a delegacia e dá um tapa em Paco.

Acontece o enterro de Jenifer.

Trilha Sonora Off.

CENA 04-APARTAMENTO DE JENIFER-NOITE

Vemos Leandra triste. Ela segura um copo de água e toma um comprimido.

LEANDRA: A Jenifer já estava louca. Mas que falta que a minha filha está fazendo.

Leandra chora e pega um quadro com a foto da filha criança.

LEANDRA: Minha bebê, que eu criei com tanto cuidado... Por que você se tornou isso? Por quê?!

Leandra se levanta e vai até o banheiro.

LEANDRA: Eu preciso tomar um rumo na minha vida e encontrar a Emma. Preciso de coragem.

CENA 05-PRAIA-NOITE

Caída sobre a areia, vemos Andressa bebendo muito, derramando bebida sobre si mesma.

ANDRESSA (Chorando): Por quê?! Por quê?!

Andressa chora muito. As ondas tocam seus pés. Kauã aproxima-se levemente.

Trilha Sonora On: https://youtu.be/m0chZqPX7Nw

KAUÃ: Andressa.

ANDRESSA (Levanta-se e o abraça): Kauã! Eu preciso de você.

KAUÃ: Eu vim te ver, meu amor. Agora vamos ficar só nós dois, juntos e felizes.

ANDRESSA (Ri): Vamos! Vamos, meu amor, vamos ser felizes.

Eles começam a dançar ao som das ondas, beijando-se.

CENA 06-CASA DE DAVI-NOITE

Pérola está deitada no sofá e grita de dor.

PÉROLA (Gritando/Chorando): Deus, me ajuda! Aaaah!

DAVI: Calma, meu amor, vai ficar tudo bem.

PÉROLA: Aaaaaah!

Ela grita de dor. Davi a abraça.

PAULA: Então,doutora,o que podemos fazer?

DOUTORA HELEN (Regiane Alves): O que podemos fazer é levá-la imedia-
tamente para o hospital. Não tem condições de ela ficar aqui.

PÉROLA (Chorando): Nãoooooooo!

DAVI: Calma, meu amor, calma! (Chora)

PAULA: A gente vai ter que te levar, meu amor. Lá tem tudo que você precisa para viver.

Passam-se minutos.

CENA 07-HOSPITAL-NOITE

Pérola está numa maca.

PAULA: Mantenha-me atualizada de tudo, meu filho.

DAVI: Está bom, mãe.

A ambulância sai.

EMMA: Dona Paula! Aquela era a Pérola?

RENATO: O que aconteceu com ela?

PAULA: A doença dela se agravou, ela está só esperando a hora de Deus levar.

RENATO: Meu Deus!

EMMA: Que triste! Forças!

Paula e Emma se abraçam.

PAULA: Obrigada, meu bem!

CENA 08-AEROPORTO-NOITE

Cintia está esperando seu voo.

LOCUTORA: Passageiros com destino a Londres.

CINTIA: E o meu voo?

A polícia chega ao local.

POLÍCIA: Parada, Cintia Meireles! Você está presa.

Minutos depois, Cintia sai algemada do aeroporto, sendo alvo dos holofotes.

CENA 09-CASA DE ROBERTA-
NOITE

Trilha Sonora On: https://youtu.be/Ip6cw8gfHHI

Caju entra e beija Roberta, que recua.

CAJU: Amor! O dia de trabalho foi cansativo. Agora que virei chefe, depois que o antigo foi preso, é muito trabalho.

Caju vai até a cozinha.

CAJU: Você está calada! O que houve?

ROBERTA (Levantando-se): Aconteceu quando eu coloquei você, seu traste, dentro de casa. Você não vale nada!

CAJU: Está perdendo o respeito comigo, é? Cuidado!

ROBERTA: CALA A BOCA! Cala a sua boca, merda! Você é um merda, mere-
cia estar preso junto com aquele assa-
ssino do Paco. Você causou a morte da mãe da Emma e cometeu outros crimes! Você não presta, e agora eu vou contar para todo mundo.

CAJU: Ah, não vai! Não vai mesmo, sua puta!

Roberta tenta pegar o celular, mas Caju a derruba. Ela dá um tapa na cara dele e o chuta nas partes íntimas. Ele corre atrás dela, a derruba no chão e começa a agredi-la.

ROBERTA: Para! Seu covarde! Para!

CAJU: Eu te avisei! Me respeita! Você acha o quê?

Roberta olha para Caju com a mão no rosto e muita raiva.

CENA 10-RESTAURANTE-NOITE

O restaurante fica em um lindo barco, com jantar à luz de velas.

JORGE: Ainda bem que você aceitou vir, Mariluz. Eu queria mesmo conv-
ersar com você. Desabafar!

MARILUZ: Só você mesmo para pen-
sar que os meus conselhos são úteis.

JORGE: Claro que são! Você é uma pessoa que me faz rir. É engraçada, bonita, inteligente.

MARILUZ: Ah, para! Assim eu acabo acreditando.

As mãos deles se cruzam. Os dois trocam olhares.

JORGE: Posso te beijar?

MARILUZ: Você deve!

Eles se beijam apaixonados.

CENA 11-HOSPITAL-NOITE

Davi espera sentado no corredor.

HELEN: Ela está pedindo para te ver.

DAVI: Como ela está?

HELEN: A situação não é nada boa. Vai conversar com ela.

DAVI: Está bom, eu vou.

Davi entra no quarto.

Trilha Sonora On: https://youtu.be/tBBzRoZQXxM

DAVI: A Helen me falou que você estava pedindo para me ver.

PÉROLA (Chorando): Que bom que você veio, meu amor. Pedi tanto para ver seu rosto uma última vez.

DAVI: Para! Daqui a alguns dias a gente vai estar junto novamente. Feli-
zes na nossa casinha.

PÉROLA: Esse sempre foi o meu sonho, meu amor: casar com um homem bom, perfeito, igual a você. Eu realizei, e isso me deixa feliz.

DAVI (Chorando): Eu não quero te perder.

PÉROLA: Você não vai me perder! O que une a gente é mais forte até do que a própria morte.

DAVI (Chorando): Isso é verdade! Ai, meu amor,eu te amo tanto,você é minha estrelinha.

PÉROLA: Eu que te amo! A gente vai se encontrar novamente. Agora, faz o que a gente combinou.

DAVI: Eu não tenho coragem, eu não tenho!

PÉROLA: Essa seria a prova de amor mais linda que você poderia me dar.

Davi e Pérola se beijam apaixonadamente.

Trilha Sonora Off.

Davi move-se lentamente até os apare-
lhos que mantêm Pérola viva e os desliga.

CENA 12-CASA DE ROBERTA-
NOITE

Roberta está caída no chão, desmaiada.

CAJU: Agora vou fugir e levar o dinheiro dessa burra.

Caju pega todo o dinheiro de Roberta na gaveta e sai às pressas. Ele se disf-
arça com um capuz, entra em um carro próximo e dá partida em alta velocidade.

CENA 13-CASA DE RENATO- MANHÃ

PACO: Eu preciso fugir, preciso!

Os policiais batem na porta.

PACO: Quem será? Aff!

POLICIAL 1: Senhor Paco?

PACO: Sou eu mesmo.

POLICIAL: Você está preso!

PACO: Como assim, preso?!

POLICIAL: Peço que não diga nada, pois pode ser usado contra o senhor.
Os policiais o algemam e o colocam na viatura.

CENA 14-APARTAMENTO DE JORGE/QUARTO-NOITE

Trilha Sonora On: https://youtu.be/uZ9hB107AHs

Mariluz e Jorge se beijam. Jorge tira sua camisa e retira a blusa de Mariluz. Os dois se beijam loucamente. As mãos de Jorge percorrem o corpo da moça; ele retira o sutiã e beija os seios dela. A câmera escurece.

Trilha Sonora Off.

CONTINUA NO PRÓXIMO PÔSTER

2 days ago | [YT] | 10

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CENA 06-INT/QUARTO DE HOTEL SIMPLES/FORTALEZA-NOITE

Um quarto de hotel de beira de estra-
da,a quarenta reais a diária. Paulo e Dinah chegaram de ônibus. Ela está num quarto, ele no outro. Paulo está sentado na cama, olhando pela janela para a cidade. Fortaleza. Os prédios. As luzes. O barulho de uma cidade que não conhece Veleiro Azul e nunca vai conhecer. E algo dentro de Paulo que reconhece tudo isso não com clareza de memória, mas com a estranheza de quem voltou a um lugar que tentou esquecer. Ele vai até a janela. Olha a avenida lá embaixo. Um sinal de trân-
sito que pisca amarelo. Um casal pass-
ando. Uma padaria com luz acesa.

PAULO (para si, na janela): Eu já fui daqui. Isso eu sei.

Batem na porta. É Dinah.

DINAH (entrando,com a prancheta): Consegui o contato da promotora pelo telefone de uma amiga. Ela conseguiu uma audiência para amanhã de manhã. Promotora Maria Clara, do Ministério Público Estadual.

PAULO: Rápido.

DINAH: A amiga tem contato. E o dos-
siê que eu tenho é sólido ela disse que nunca viu documentação tão completa sobre crime ambiental em zona de pesca artesanal.

PAULO: Você é incrível,Dinah. Você sabe disso?

DINAH (sem falsa modéstia): Sei. Pas-
sei dois anos montando esse material enquanto todo mundo dizia que era perda de tempo. Mas amanhã Ariel, amanhã pode ser o começo de alguma coisa real.

PAULO (sério): Pode. Mas também pode não ser. A promotoria pode engavetar. Pode ter pressão política. A gente precisa estar preparado para continuar mesmo que amanhã não dê o resultado que a gente quer.

DINAH: Você é o homem mais otimista e pessimista ao mesmo tempo que eu já conheci.

PAULO (sorrindo levemente): Realista. Acho que eu fui treinado para isso em alguma vida anterior.

Dinah ri. Vai até a porta.

DINAH: Dorme. Amanhã a gente prec-
isa dos dois com cabeça boa.

Ela sai. Paulo volta para a janela. A cidade lá fora. Em algum lugar nessa cidade, alguém sabe quem ele é. Em algum lugar nessa cidade, há uma resposta.

PAULO (para a cidade,baixo): Eu vou lembrar. E quando lembrar, vou entender tudo.

CENA 07-INT/MINISTÉRIO PÚBLI-
CO ESTADUAL/FORTALEZA-
MANHÃ

Uma sala institucional mesa comprida, cadeiras sérias, o brasão do Estado na parede. PROMOTORA MARIA CLARA (Cláudia Mauro), recebe Paulo e Dinah. Analisa a documentação enquanto os dois esperam. O silêncio dura vários minutos. Paulo aguarda com a paciência de alguém que apren-
deu a esperar no mar. Dinah segura a prancheta no colo como se fosse um filho.

MARIA CLARA (sem levantar os olhos dos documentos): Esses laudos foram feitos por quem?

DINAH: Por mim. Sou enfermeira com especialização em saúde pública. Fiz os registros clínicos das crianças e adul-
tos com sintomas. Coletei amostras de água com assistência de um técnico de laboratório que me ajudou voluntaria-
mente.

MARIA CLARA: O técnico assina os laudos?

DINAH: Sim. Com CRQ e tudo.

Maria Clara vira mais uma página. Para numa foto do rio. Olha por um longo tempo.

MARIA CLARA (para Paulo): E você? Qual é o seu papel nisso?

PAULO: Eu trouxe a Dinah até aqui. Organizei os pescadores para docum-
entar o escoamento irregular do peixe. E tenho vídeo da descarga de efluentes nos fundos da fábrica.

MARIA CLARA: Vídeo feito como?

PAULO: Com celular, de área pública. A câmera está a aproximadamente oitenta metros do cano de descarga. Imagem, hora, data tudo.

MARIA CLARA (olhando para Paulo com atenção nova): Você tem formação jurídica?

Uma pausa. Paulo e Dinah se olham brevemente.

PAULO: Eu não sei ao certo. Tive um acidente que me tirou a memória. Mas parece que... sim.

MARIA CLARA (estudando Paulo): Como é o seu nome completo?

PAULO (diretamente): Ariel. Só isso por enquanto.

Maria Clara sustenta o olhar por um momento. Então fecha a pasta.

MARIA CLARA: Esse material é sufi-
ciente para abertura de inquérito por crime ambiental e sonegação. Mas eu preciso que vocês entendam: Hercu-
lano Santoro tem proteção política. Isso vai ser uma batalha longa.

PAULO: Quanto tempo longa?

MARIA CLARA: Meses. Talvez um ano até chegar a alguma medida concreta.

PAULO: As crianças de Veleiro Azul estão tossindo agora, doutora. Um ano é tempo demais.

MARIA CLARA (com peso): Eu sei disso. Por isso vou solicitar liminar de interdição da fábrica em paralelo ao inquérito. Não garanto que seja conce-
dida, mas vou tentar.

PAULO: Obrigado. Sério.

MARIA CLARA (levantando para enc-
errar, mas olhando Paulo uma última vez): Ariel. Você deveria descobrir quem você é. Não só para você. Esse material foi montado com uma precisão que não é de pescador. Você pode ser útil de formas que ainda não sabe.

CENA 08-EXT/CALÇADÃO DE IRA-
CEMA/FORTALEZA-TARDE

Paulo caminha sozinho pelo calçadão da Praia de Iracema enquanto Dinah descansa no hotel. O mar à esquerda, os bares e restaurantes à direita. Uma tarde quente, movimentada. Paulo para. Olha o mar. Este é o mesmo mar de Veleiro Azul a mesma água, a mes-
ma cor, o mesmo cheiro. Mas é difere-
nte. Esta praia tem algo que pesa sobre ela uma familiaridade que não é da memória consciente, mas do corpo.
Ele começa a andar na direção do Meireles. Não sabe por quê. Os pés simplesmente vão. Chega numa esqui-
na. Para diante de um prédio alto, moderno, com o nome CAVALCANTE & CAVALCANTE em letras discretas na placa de mármore da entrada.
Paulo olha para o nome. CAVALCANTE. Algo dentro do peito se move não uma memória, mas a sombra de uma.

PAULO (em voz alta, para si, testan-
do): Cavalcante.

O porteiro do prédio olha para ele. Paulo desvia o olhar. Afasta-se deva-
gar, virando num lado da calçada para olhar de longe. E então uma mulher sai do prédio. De terno escuro. Cabelos presos. Ela não o vê. Entra num carro estacionado. Paulo a vê de costas ape-
nas. Mas algo o jeito de andar, o ângu-
lo dos ombros faz o ar no seu peito mudar de temperatura. O carro vai embora. Paulo fica na calçada. A mão no peito, involuntariamente.

PAULO (para si, voz quebrada num fio): Quem é você?

O carro dobra a esquina. Desaparece. Paulo fica olhando o lugar onde estava.

CENA 09-INT/APARTAMENTO DE REBECA/ALDEOTA/FORTALEZA- NOITE

Rebeca está em frente ao espelho do banheiro, escovando os dentes. Gesto automático, cotidiano. Mas quando ela para e olha para o próprio rosto — há uma pergunta nos olhos que nunca vai embora. O celular toca. Ela cospe, enxágua, pega o aparelho. Número desconhecido.

REBECA: Alô?

PEDRO (voz off e pela primeira vez em meses,sem o verniz de controle): Rebeca. Sou eu.

REBECA: Pedro. São onze da noite.

PEDRO (voz off,carregada): Eu sei. Eu preciso falar com você. Pessoalmente. Amanhã cedo.

REBECA (sentindo algo diferente no tom dele): O que aconteceu?

PEDRO (voz off,depois de uma pausa que diz mais do que as palavras): Pre-
cisa ser pessoalmente, Rebeca.

REBECA (com firmeza,não largando): Pedro. Você me liga às onze da noite de um número que eu não tenho, com esse tom. Não. Me fala agora o que é.

Silêncio do outro lado. Tão longo que Rebeca pensa que ele desligou.

PEDRO (voz off,quase em sussurro): Paulo está vivo.

Rebeca para de respirar. Encosta na parede do banheiro. A mão aperta o telefone até os nós dos dedos branquejarem.

REBECA (voz que não sai inteira): O que você disse?

PEDRO (voz off): Paulo está vivo. Eu vou te explicar tudo amanhã. Mas ele está vivo.

Rebeca escorrega pela parede devagar até sentar no chão do banheiro. O celu-
lar ainda no ouvido. Os olhos fechados.

REBECA (num sussurro que é oração, confirmação,alívio e raiva ao mesmo tempo): Eu sabia. Eu sabia.

CORTA PARA:

CENA 10-EXT/PRAIA DE IRACEMA
/FORTALEZA-MADRUGADA

Paulo não conseguiu dormir. Está no calçadão de Iracema de madrugada quase deserto, apenas alguns pescad-
ores preparando barcos para a saída do dia, e o mar que nunca para. Ele senta numa pedra na beira da água. Tira os tênis. Mete os pés na água salgada. E fecha os olhos. As imagens chegam não mais como relâmpago, mas como maré. Devagar. Persistentes.
O apartamento. A guitarra. A foto na geladeira e agora, pela primeira vez, ele quase consegue ver o rosto nessa foto. Uma mulher. Sorrindo. Cabelos escuros. A voz de um homem, ao telefone calorosa, familiar demais. Uma promessa de festa. Um endereço.
Uma rua escura. Faróis. Dois vultos.
A queda. Paulo abre os olhos. Está com as mãos nos joelhos, tremendo levem-
ente não de frio, de reconhecimento.

PAULO (para o mar, voz que carrega o peso de tudo que voltou): Tem alguém que me traiu. Eu quase lembro quem é. E quando eu lembrar de verdade...

Ele para. Olha para as próprias mãos. As mãos que pescam, que anotam cadernos de pescador, que seguraram a de Lia na pedra sob a lua.

PAULO (mais baixo,como uma prom-
essa para si mesmo): Quando eu lem-
brar eu não posso me tornar alguém que eu não quero ser. Isso é o que tenho medo. Não da verdade. Do que eu faço com ela.

O mar bate nos seus pés. Dentro e fora o ritmo antigo.

Ao longe, um barco de pesca parte pa-
ra o mar aberto. A luz na proa pisca. Desaparece na escuridão. Paulo fica. Olhando o lugar onde o barco estava.

O mar guarda tudo. E está prestes a começar a devolver.

FIM DO CAPÍTULO

2 days ago | [YT] | 6

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SE O MAR CONTASSE • Capitulo 05

escrita por: NATHAN FREITAS
Supervisão de: FELIPE EMANUEL E VANESSA COUTO
direção geral: DIOGO ITAMAR

🌊🌊🌊🌊🌊🌊🌊🌊🌊🌊🌊🌊🌊

CENA 01-INT/CASA DE MAX/VEL-
EIRO AZUL-NOITE

A chuva chegou sem aviso,como sem-
pre chega no litoral cearense fora de estação. Pesada, lateral, com cheiro de terra molhada que se mistura ao sal. A casa de Max range nas madeiras anti-
gas,mas não cede. Max e Paulo estão na sala. Uma lamparina está acesa porque a luz caiu. Max numa cadeira, Paulo no chão,encostado na parede, os joelhos dobrados. A chuva bate no tel-
hado com ritmo de percussão.

PAULO: Max. Você tem filhos? Além da Lia?

MAX (uma pausa que carrega peso): Tive um. Luís. Morreu com quatorze anos. O mar levou.

PAULO (baixo): Sinto muito.

MAX: Você sabe o que é estranho? Eu nunca fiquei com raiva do mar. Fiquei com raiva de mim,que não fui rápido o suficiente. Fiquei com raiva do tempo, que não para. Mas do mar,não.

PAULO: Por quê? Era o mar que tinha levado.

MAX: Porque o mar não tem intenção. Ele só é o que é. É o homem que tem intenção. E quando o homem usa o mar para fazer o que o mar nunca faria so-
zinho, aí eu fico com raiva.

Paulo olha para Max. Há algo na fala que ressoa de um jeito que ele não con-
segue nomear,como uma campainha tocando num cômodo que ele não sabe abrir.

PAULO: Você acha que o que aconte-
ceu comigo foi intencional? Que algu-
ém me colocou no mar?

MAX (olhando para Paulo com serie-
dade): Eu acho que o mar não pega ho-
mem de terno às onze da noite no cais do Mucuripe por acidente. Mas isso é o que eu acho. O que você acha?

PAULO (depois de um longo silêncio, com voz que encontra algo verdadei-
ro): Eu acho que sim. Que alguém que-
ria que eu sumisse. E o que me assusta não é isso,é que quando eu penso nessa pessoa, não sinto raiva. Sinto... dor. Como se fosse alguém que eu conhecia bem.

MAX: Traição dói diferente de perigo. Você sabe distinguir os dois.

PAULO: Eu precisava que você diss-
esse isso.

A chuva amaina. Não para,só afrouxa o ritmo. A lamparina oscila. Os dois fi-
cam em silêncio,ouvindo o telhado.

CORTA PARA:

CENA 02-INT/ESCRITÓRIO DE PEDRO/MEIRELES/FORTALEZA- DIA

Pedro recebe Bragança,o mesmo ho-
mem da noite do cais,agora sem a bru-
talidade aparente,de calça social e camisa polo,como se fosse uma reun-
ião de negócios qualquer. Genaro, aqui identificado como contato de Herculano,está sentado ao lado. Pedro franze o cenho ao ver Bragança.

PEDRO (tenso,para Genaro): Eu disse que não queria mais contato com ele.

GENARO: O patrão achou necessário. Apareceu uma situação.

BRAGANÇA (sem cerimônia): Seu ir-
mão está vivo.

O ar sai da sala. Pedro não se move. Apenas o maxilar aperta,visível por um segundo.

PEDRO (controlado,quase inaudível): O que você disse?

BRAGANÇA: Paulo Cavalcante. Está vivo. Num vilarejo de pescadores no litoral. Chama Veleiro Azul. Não se lembra de nada,mas está lá,respiran-
do,andando e,para piorar,criando problema para o Herculano.

PEDRO (levantando devagar, virando para a janela): Como é possível...

BRAGANÇA: Corrente marítima. A gente verificou. A maré naquela noite puxava para o sul. Ele sobreviveu à queda e foi parar na praia de lá.

PEDRO (ainda de costas): Ele não lem-
bra de nada?

GENARO: Até onde o patrão sabe,não. Mas amnésia não é para sempre. E o patrão quer saber o que o doutor Pe-
dro pretende fazer com essa situação.

Pedro se vira. O rosto está composto, a máscara de advogado que ele é. Mas algo nos olhos não consegue ser total-
mente contido. Não é alívio. É pânico disfarçado de cálculo.

PEDRO: Eu preciso de tempo para pensar.

GENARO: O patrão não tem tempo so-
brando, doutor. E nem o senhor.

Bragança e Genaro saem. Pedro fica sozinho. Vai até a mesa. Pousa as duas mãos sobre ela. A cabeça baixa. Então, devagar, ele levanta. Olha para a foto do pai na parede. O homem austero que nunca o aprovou.

PEDRO (para a foto,voz quebrada por dentro, mas firme por fora): Ele sobre-
viveu, pai. Paulo sobreviveu. É impos-
sível dizer, pelo tom, se isso é confissão ou recomeço..

CENA 03-EXT/RIO AZUL/VELEIRO AZUL-MANHÃ

A manhã depois da chuva tem o rio mais cheio e mais escuro. A poluição que a água traz quando o nível sobe é visível: uma espuma marrom-esver-
deada que se acumula nas margens. Dinah caminha com Paulo pela beira, apontando pontos específicos e fazendo anotações numa prancheta.

DINAH: Depois de chuva forte, fica assim. O dejeto da fábrica vem com a enxurrada. Já documentei sete episó-
dios iguais a esse nos últimos dezoito meses.

PAULO: E você tem tudo documentado
? Datas, fotos, laudos das crianças?

DINAH: Tenho. Guardo tudo num pen drive que fica comigo o tempo todo.

PAULO: Dinah, isso que você tem é ouro. Você sabe disso?

DINAH (amarga): Sei. E sei também que já tentei levar isso para a Secre-
taria de Saúde do município duas ve-
zes. Nas duas, o processo sumiu antes de chegar a lugar nenhum.

PAULO: A secretaria municipal é fácil de sumir. Mas existe a promotoria est-
adual. Existe o Ministério Público Federal. Existe a imprensa.

DINAH (olhando para ele com curios-
idade): Você fala como alguém que conhece esse caminho.

PAULO (parando,olhando para o rio): Às vezes eu digo coisas que não sei de onde vêm. É estranho como se a cabeça soubesse coisas que eu não me lembro de ter aprendido.

DINAH: Talvez você tenha sido advo-
gado. Ou jornalista. Ou agente de alguma coisa.

PAULO (com um sorriso leve): Talvez. Por enquanto sou pescador.

DINAH (voltando à prancheta): Pes-
cador que entende de promotoria fed-
eral. Veleiro Azul nunca teve um assim.

PAULO: Dinah, você toparia viajar até Fortaleza comigo? Com toda essa documentação? Eu não sei exatamente o que faço lá, mas sei que é lá que isso precisa chegar.

Dinah para de escrever. Olha para Paulo. Uma hesitação real o peso de anos de tentativas frustradas contra a esperança nova que esse homem de origem desconhecida instalou em Veleiro Azul.

DINAH: Quando você quiser ir, me avisa.

CENA 04-INT/MERCADINHO DE PEPITA/VELEIRO AZUL-TARDE

O mercadinho tem uma rádio velha que toca forró baixinho. Pepita arruma la-
tas de sardinha numa prateleira quan-
do Paulo entra. Ela não vira.

PEPITA: Sei que é você pelo passo. Você pisa diferente de todo mundo aqui.

PAULO: Como assim, diferente?

PEPITA (virando, com aquele sorriso que sabe tudo): Pisa como quem está acostumado a chão de apartamento. Silencioso demais para ser de alguém que cresceu em chão de terra.

PAULO (considerando isso): Você é assustadora, Pepita.

PEPITA: Sou perspicaz. É diferente. Senta aí.

Paulo senta numa cadeira de plástico ao lado do balcão. Pepita serve dois copos de suco de caju sem perguntar.

PAULO: Pepita. Você conhece todo mundo aqui. O Herculano ele tem família? Alguém que não concorda com o que ele faz?

PEPITA (pensando): Tinha uma filha. Mariana. Foi estudar em Recife há dez anos e nunca mais voltou. Dizem que brigou feio com ele por causa dos pescadores. Que ela soube o que o pai fazia e não aguentou.

PAULO: Você sabe onde ela está agora?

PEPITA: Ouvi que virou advogada. Trabalha com direito ambiental. Ironia cruel, né? O pai envenena o rio e a filha passa a vida defendendo o que ele destrói.

PAULO (assimilando, com um brilho no olhar): Ela poderia ser aliada.

PEPITA (levantando uma sobranc-
elha): Ou poderia alertar o pai. Você não sabe o lado em que ela está de verdade.

PAULO: Não sei. Mas sei que alguém que deixou tudo por causa de princípio dificilmente voltou atrás.

PEPITA: Você tem fé demais nas pessoas, Ariel.

PAULO (bebendo o suco, olhando para ela): Eu fui tirado do mar por um velho que não me conhecia de nada e me deu teto, comida e nome. Faz sentido ter fé.
Pepita fica em silêncio por um mome-
nto. Então,empurra uma bala de goiaba para o lado de Paulo gesto que já virou ritual entre os dois.

PEPITA (suave): O nome da filha de Herculano é Mariana Santoro. Minha sobrinha estudou com ela. Posso tentar um contato.

PAULO (com gratidão genuína): Obri-
gado, Pepita.

PEPITA: Não me agradeça ainda. Aguarde para ver se funciona.

CENA 05-EXT/PRAIA/VELEIRO AZUL-PÔR DO SOL

Paulo e Lia estão sentados lado a lado na areia, perto da água. Ela tem um livro no colo que não está lendo. Ele tem os joelhos abraçados, olhando o horizonte. O silêncio entre eles não é vazio é o silêncio de dois que já cruza-
ram para um lado de intimidade onde as palavras são opcionais.

LIA (sem olhar para ele): Você vai a Fortaleza com a Dinah.

PAULO: Como você sabe?

LIA: Veleiro Azul tem trezentas pessoas. Segredo aqui dura uma tarde.

PAULO (virando para ela): Você está brava?

LIA: Não. Estou com medo.

PAULO: De quê?

LIA (finalmente olhando para ele): De que você chegue lá e a memória volte de vez. E que o que voltar seja grande demais para caber aqui.

PAULO: Lia...

LIA (interrompendo,com voz firme que não pede consolo): Deixa eu terminar. Eu não estou pedindo que você fique. Eu nunca pedi isso. Mas quero ser honesta: você mudou esse lugar. E mu-
dou a mim. E se você for embora, isso não some mas dói. Eu precisava te dizer isso antes de você ir.

PAULO (depois de um silêncio que respeita o peso do que ela disse): Lia. Eu não sei quem eu era. Mas sei quem eu sou agora, e boa parte de quem eu sou agora tem a ver com você, com Max, com esse lugar. Eu não vou a Fortaleza para sumir. Vou para fazer o que precisa ser feito. E depois volto.

LIA: Você não pode prometer isso.

PAULO: Não. Mas posso prometer que não vou embora sem vir falar com você primeiro. Isso eu posso.

Lia olha para ele. Há uma luta silencio-
sa no rosto dela entre o que quer acre-
ditar e o que aprendeu a não depender. O que quer acreditar vence, desta vez.
Ela pousa a cabeça no ombro dele. Ele não se move. O sol some devagar. O mar fica lilás.

CONTINUA NO PRÓXIMO PÔSTER

2 days ago | [YT] | 6

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O MAIS BELO DOS BELOS • Capí 18
#ÚltimosCapítulos

escrita e criada por:
PEDRO RABELO

supervisão de:
EDGAR OLIVEIRA
VANESSA COUTO

direção geral:
DIOGO ITAMAR

abertura: https://youtu.be/wf1y11VAJqc?is=sB_TJ...

🥁🎙️🪇🥁🎙️🪇🥁🪇🥁🪇🥁🪇🥁

CENA 01-RUA DO PELOURINHO/ EXTERIOR-NOITE

O incêndio no Centro Cultural ainda é combatido pelos bombeiros. A fumaça preta domina tudo. Alice está em choque,amparada por Rosa. Lorenzo aparece no meio da multidão, cambal-
eando, com uma garrafa de cachaça na mão. Ele vê a destruição e ri de forma nervosa, completamente fora de si.

LORENZO: Olha aí,bicho! O "progre-
sso" chegou! Eu avisei... eu avisei que Lúcia não brincava em serviço, não!

Jorginho avança em Lorenzo.

JORGINHO: Cala a boca,seu covarde! Tem gente lá dentro por sua causa, desgraça! A sua mulher quase morreu e agora Sara e Lucas tão presos aí dentro!

Lorenzo para de rir na hora. A ficha começa a cair,mas o álcool ainda domina.

CENA 02-LOJA AXÉ E ARTE/QUAR-
TO DOS FUNDOS-NOITE

Laura está deitada,ainda se recuper-
ando do acidente,quando os filhos, Kevin e Léo, entram chorando. Fabiula tenta acalmá-los.

LAURA: O que foi, meus filhos? Por que vocês tão assim, oxente?

KEVIN: Painho, mãe... Ele apareceu lá no bar de Clóvis gritando, dizendo que a senhora nunca mais ia voltar pra casa. Ele tá assustador, mãe.

LÉO: A gente não quer ficar com ele não, mãe. A gente quer ficar aqui com a senhora.

LAURA (Sentando-se com dificuldade, o olhar endurecido): Vocês não vão voltar praquela casa nunca mais. Fabi-
ula, por favor, traga as mochilas deles. Eles dormem aqui comigo,nem que seja no chão.

CENA 03-EXTERIOR DA LOJA/POR-
TA DA FRENTE-NOITE

Lorenzo chega na porta da loja de Fabiula, esmurrando a madeira.

LORENZO: LAURA! Devolve meus filhos, mulher! Você não tem direito nenhum de me separar deles! Sai daí agora!

Fabiula abre a porta com uma vassou-
ra na mão e um ódio que faz Lorenzo recuar um passo.

FABIULA: Cai fora daqui, Lorenzo! Se você der mais um murro nessa porta, eu chamo a polícia e mostro as fotos do que você fez com o braço de Laura! Seus filhos não querem te ver nem pin-
tado de ouro, tá me ouvindo?

LORENZO: Eles são meu sangue, pô!

FABIULA: Sangue que você sujou com essa cachaça e com o dinheiro de Lúcia! Vaza logo antes que o pessoal aqui do Pelô te pegue, porque eles tão doidos procurando um culpado pro incêndio e você é o alvo mais fácil, viu?

CENA 04-LARGO DO PELOURINHO- NOITE

Saem dois corpos em macas do meio da fumaça. O silêncio é absoluto. Alice corre.

Lucas sai tossindo muito, com o rosto enfarruscado, mas vivo. Ele está carr-
egando Sara nos braços. Ela está desa-
cordada,com queimaduras nos braços, mas respirando.

ALICE: Lucas! Meu Deus, você conse-
guiu!

LUCAS: (Entregando Sara aos param-
édicos) Eu não ia deixar... eu não ia deixar ela lá... Alice, foi proposital. Eu vi os galões de gasolina nos fundos antes do teto cair. Foi minha mãe. Eu tenho certeza que foi ela.

Alice olha para o Centro Cultural des-
truído. O choro para e o rosto dela se transforma em uma máscara de vingança.

CENA 05-MANSÃO BARROS BRITO
/SALA-NOITE

Renata está andando de um lado para o outro,nervosa. Lúcia fuma um cigarro, calma demais.

RENATA: Lúcia,o Lucas tava lá dentro
! Se ele morrer,a culpa é nossa,minha filha!

LÚCIA: Lucas fez a escolha dele quan-
do se juntou àquela gentalha. Se ele se queimou, foi porque quis brincar de herói.

O telefone toca. Lúcia atende. É o Dele-
gado Almeida.

LÚCIA (Ao telefone): Sim... entendo. O depoimento de Lorenzo? Não se preo-
cupe, delegado. Lorenzo agora é um bêbado sem família. Ninguém vai acre-
ditar no que um desgraçado desse diz. Garanta que os peritos não achem ves-
tígios de combustível, ouviu?

CENA 06-PORTA DA LOJA DA FABI-
ULA-NOITE

Lorenzo está sentado na calçada, chor-
ando,quando os filhos saem da loja com Laura. Eles passam por ele como se ele fosse um estranho.

KEVIN: Não segue a gente não, pai. Eu tenho vergonha de ser seu filho.

Lorenzo tenta segurar a mão do menino, mas Laura se coloca no meio.

LAURA: Acabou, Lorenzo. Você per-
deu tudo. A casa, o emprego e, o mais importante, o respeito dos seus filhos. Morra sozinho com essa sua garrafa.

Laura e os meninos saem. Lorenzo fica sozinho na rua escura. De repente, um carro preto para ao lado dele. A janela desce. É Renata.

RENATA: Entra no carro, Lorenzo. Você ainda pode ser útil... ou pode ser o próximo a "pegar fogo" por acidente. Você escolhe, meu bem.

CONGELA NO ROSTO TERRORIZA-
DO DE LORENZO.

FIM DO CAPÍTULO

3 days ago | [YT] | 11

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AMORES IMPERFEITOS • Capi 13
#reprise #PenúltimoCapítulo

escrita e criada por:
HELOÍSA RIBEIRO
E ADÃO VITOR

supervisão de:
ADGAR OLIVEIRA
FELIPE EMANUEL

direção geral:
DIOGO ITAMAR

abertura:https://youtu.be/N8nvS0euihs?is=2qyVr...

🎨🫟♥️🎨🫟♥️🎨♥️🫟♥️🎨🫟🎨

CENA 01-RANCHO DAS FLORES- NOITE

Trilha Sonora On: https://youtu.be/m0chZqPX7Nw

Os dois se afastam.

JORGE: Isso é errado! Você tem razão, a Andressa não merece isso.

MARILUZ: Com certeza. Nenhuma
mulher merece ser traída. Só volte a me procurar quando você tiver termi-
nado tudo.

Mariluz se retira.

JORGE: Fiz merda! Preciso contar tudo para a Andressa.

Trilha Sonora Off.

CENA 02-APARTAMENTO DE JENI-
FER-NOITE

Leandra entra.

MÔNICA: Que é isso? Você bebeu?

LEANDRA: Não te interessa! Garota repugnante.

MÔNICA: Não me venha com seus sa-
rcasmos,eu preciso te falar uma coisa.

LEANDRA: Fala logo! O que está hav-
endo nessa palhaçada?

MÔNICA: Eu fui ao quarto da Jenifer e a encontrei morta.

LEANDRA (chocada): Morta? Como assim,morta? Você deve ter se confun-
dido,ela apenas está dormindo.

MÔNICA: Não,mãe! Eu tenho certeza: a Jenifer está morta.

Leandra começa a chorar e cai no chão. Mônica a abraça.

MÔNICA: Vai ficar tudo bem,mãe. Tudo bem.

CENA 03-CASA DE CÍNTIA-NOITE

Cíntia aparece surtando no telefone com sua advogada.

CÍNTIA: Como assim eu perdi de novo
? Já não estava resolvido que o vila-
rejo é meu?

ADVOGADA: Estava! Mas o juiz me comunicou que os documentos antigos apresentados pela Madá complicaram tudo. Infelizmente,você perdeu.

CÍNTIA: E que tipo de advogada você é? Uma incompetente,né? Porque era para eu ganhar aquele vilarejo! Todos os meus sonhos e projetos de vida estão lá.

ADVOGADA: Eu sinto muito.

CÍNTIA: Sinta mesmo! A culpada disso tudo é você,sua advogada de porta de cadeia!

Cíntia joga o celular na parede,que se espatifa.

CENA 04-CASA DE MADÁ-NOITE

Trilha Sonora On: https://youtu.be/9_yFjJYN51M

MADÁ (pulando): Ahhh! Conseguimos! O vilarejo é nosso!

FÁBIO: Conseguimos,mãe! Consegui-
mos!

Eles pulam de felicidade.

Trilha Sonora Off.

CENA 05-CASA DE DAVI-NOITE

Davi e Pérola estão dormindo,quando Pérola acorda tossindo sangue.

DAVI: Meu amor! O que é isso?

PÉROLA: Sangue, Davi... A minha hora está chegando.

DAVI: Calma! Eu vou ligar para a mé-
dica,não se agita, meu amor.

PÉROLA: Não precisa. É só eu beber o remédio e fico bem.

DAVI: Mesmo assim,eu acho perigoso, meu amor.

PÉROLA: Relaxa,meu bem. Eu posso te pedir uma coisa?

DAVI: Pode! Tudo o que você quiser, minha vida.

PÉROLA: Se eu não conseguir viver,eu não quero ficar ligada a aparelhos. En-
tão,eu te peço que os desligue.

DAVI: O quê? Claro que não,meu amor! Você vai viver muito mais. Você vai conseguir superar.

PÉROLA: Não,Davi! Eu não vou. Eu só te peço que me prometa isso. Você promete?

Davi permanece em silêncio por alguns minutos,depois balança a cabeça posi-
tivamente. Pérola o abraça e o beija.

CENA 06-APARTAMENTO DE KAUÃ-NOITE

ANDRESSA: Amanhã vai ter a festa no vilarejo para comemorar a vitória.
Você deseja ir?

KAUÃ: Claro! É claro que sim. Mas o Jorge não vai estar lá?

ANDRESSA: Vai! Mas esquece o Jor-
ge, não vai dar em nada. Eu quero te assumir amanhã para todo mundo.

KAUÃ: Eu acho arriscado, Andressa. Eu não sei do que o Jorge seria capaz.

ANDRESSA: Fica frio, por favor!
Amanhã você vai para lá,e antes de qualquer coisa,eu termino tudo com o Jorge.

KAUÃ (a beija): Ah,Andressa! Só vo-
cê... só você.

Eles se beijam.

CENA 07-CASA DE CÍNTIA-NOITE

Cíntia aparece no computador comp-
rando passagens para o exterior.

CÍNTIA: Perfeito! Eu vou embora des-
se Brasil horrível e vou conseguir dar o golpe em algum velho novamente. Já que eu investi todo o meu dinheiro no shopping e,no final,deu tudo errado.

Cíntia se levanta.

CÍNTIA: Se preparem,Londres! Por-
que a gostosa aqui está chegando!

CENA 08-CASA DE BEATRIZ-NOITE

BEATRIZ: Olha,Paco! Eu não sei como permaneci leal a você nesses 22 anos de casamento,para simplesmente você me trair.

PACO: Eu já te pedi desculpas,meu amor! Eu sei que errei e me arrependo.

BEATRIZ: Não é só isso,Paco! Você é obcecado por dinheiro,por fama, por poder.

PACO: Você também é igual! Não seja hipócrita.

BEATRIZ: Dinheiro é bom,quanto mais melhor, isso não podemos negar. Mas eu nunca precisei matar,nem roubar, nem prejudicar ninguém em benefício próprio. Coisa que você sempre faz! E eu estou cansada disso.

PACO: Quer saber? Dane-se! Quer terminar o casamento? Termina. Eu já estou cansado de você me enchendo o saco.

BEATRIZ: Você não presta mesmo! É um monstro,nojento,desprezível!

CENA 09-APARTAMENTO DE EMMA-NOITE

Emma contou tudo para Renato sobre os crimes de Paco; ele fica chocado.

RENATO: Eu estou chocado,chocado com tudo o que você me disse.

EMMA: Pois é! Imagina como eu fiquei. É a história da minha vida... E seu pai matou a minha mãe.

RENATO: O meu pai não presta, nunca prestou. Agora precisamos reunir pr-
ovas para acabarmos com ele.

EMMA: Isso! A gente precisa, urgente, colocar ele na cadeia pelas vidas que foram tiradas.

RENATO: Eu te dou total apoio, meu amor. Eu não reconheço mais meu pai, ele simplesmente é um monstro.

EMMA: Pois é!

CENA 10-VILAREJO/RANCHO/ QUARTO-NOITE

Trilha Sonora On: https://youtu.be/Ip6cw8gfHHI

Fábio aparece no computador se inscr-
evendo em bolsas de faculdade.

FÁBIO: Tomara que eu ganhe. Eu pre-
ciso ganhar.

Fábio olha para a tela e sorri.

FÁBIO: Eu vou conseguir! Eu vou!

Trilha Sonora Off.

CENA 11-CASA DE MARILUZ/ QUARTO-NOITE

Caju olha para uma gaveta e encara o dinheiro.

CAJU (Pensativo): Esse dinheiro ainda vai ser meu. É só eu me livrar dessa ridícula, dessa Roberta.

Trilha Sonora On: https://youtu.be/E7aIjtYfAe4

Amanhece... Dia seguinte...

Emma e Renato entregam as provas para a polícia incriminando Paco. A doença de Pérola piora a cada dia.

Jenifer é enterrada. Mônica vai emb-
ora. Leandra fica sozinha no aparta-
mento, com saudades da filha.

CENA 12-VILAREJO RANCHO- MANHÃ

MADÁ: Amados e amadas! É com ime-
nso prazer que eu comunico que o vilarejo é nosso!

Todos aplaudem, felizes.

JORGE: Cadê a Andressa? Ela simple-
smente sumiu. Eu vou procurar ela, preciso terminar tudo.

Trilha Sonora Off.

Jorge sai dali, à procura de Andressa. Mariluz o segue. Mostra o movimento na rua.

ANDRESSA: Eu te amo,meu amor! Te amo, te amo!

KAUÃ: Eu também!

Eles começam a se beijar. Jorge flagra toda a cena; ele olha,chocado. Mariluz também vê.

JORGE (Gritando): ANDRESSAAAA!

A imagem congela em Andressa e Kauã.

FIM DO CAPÍTULO

3 days ago | [YT] | 9

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CENA 06-INT/BAR SEM NOME/ VELEIRO AZUL-NOITE

Trilha Sonora On:
https://youtu.be/i1Nm-MJ313w?is=-Gjch...

O único bar de Veleiro Azul tem duas mesas de plástico, um ventilador de teto que funciona quando quer, e FELÍCIO (Lima Duarte ) dono, que serve a cerveja com a lentidão de quem sabe que ninguém tem pressa num lugar assim. Paulo está sentado com Vitinho e Mozart. Cervejas na mesa. A conversa é baixa não de segredo, mas de cansaço honesto de fim de dia.

VITINHO: O Nerinho passou dois dias me olhando torto no porto. Acho que sabe que a gente começou os cadernos.

PAULO/ARIEL: Que ele saiba. Não tem crime em anotar o que a gente vê.

MOZART: O problema não é crime, Ariel. O problema é que o Herculano não pensa em termos de crime. Pensa em termos de conveniência. E você tá virando inconveniente.

PAULO/ARIEL: Então que eu seja inconveniente. Melhor isso do que conveniente pra injustiça.

Felício se aproxima com mais cervejas. Pousa na mesa sem ser pedido. É a linguagem dele de aprovação.

FELÍCIO (antes de voltar para o bal-
cão, baixo): Você sabe que essa conv-
ersa que você tá tendo aqui já chegou nos ouvidos do Herculano? Essa vila não tem segredo que não passe por ele.

PAULO/ARIEL: Eu sei, Felício. Por isso a conversa é aberta. Nada de esconder.

FELÍCIO (sacudindo a cabeça, mas com respeito): Coragem ou loucura, rapaz. Ainda tô decidindo qual dos dois.

Ele volta pro balcão. Paulo bebe. Olha para a janela do bar do lado de fora, a rua escura de Veleiro Azul, as casas coloridas apagadas pela noite, e ao fundo, sempre, o brilho do mar sob a lua.

PAULO/ARIEL (para os dois, sério): Preciso que vocês me falem uma coisa com honestidade. Algum de vocês está com medo de continuar nisso?

Silêncio. Vitinho e Mozart se olham.

VITINHO: Tô com medo, sim. Mas tô mais cansado do que com medo. Faz diferença.

MOZART (depois de um momento): Eu passei vinte anos anotando frase de livro num quadro-negro pra crianças que iam pescar e ser roubadas assim que crescessem. Acho que eu devo isso a elas.

PAULO/ARIEL (olhando para os dois, com peso): Então tá. A gente segue. Mas se em algum momento qualquer um de vocês quiser parar, sem expli-
cação, sem julgamento pode parar. Isso precisa ficar claro.

CORTA PARA:

CENA 07-INT/APARTAMENTO DE REBECA/ALDEOTA/FORTALEZA- NOITE

Rebeca está ao telefone. Na frente dela, um caderno cheio de anotações nomes, datas, lugares. A obsessão organizada de alguém que não tem mais nada a fazer exceto encontrar a verdade.

REBECA (carioca): Soraia, eu preciso que você me ajude a pensar. O Paulo saiu do apartamento, foi pro Mucuripe, e depois disso nada. Nenhuma câmera, nenhuma testemunha, nenhum rastro, cara.

SORAIA (voz off, cautelosa): Rebeca... você já considerou que talvez não seja seguro você ir tão fundo nisso sozinha?

REBECA: Você tá me dizendo que eu devo parar?

SORAIA (voz off): Tô dizendo que se alguém fez alguma coisa com o Paulo, essa pessoa não vai ficar feliz com você fazendo perguntas.

REBECA: Eu sei disso. Mas eu preciso saber se ele está vivo, Soraia. Eu não consigo simplesmente aceitar que ele sumiu. Eu sinto que ele existe. Isso não vai embora.

SORAIA (voz off,depois de uma pau-
sa): Você falou com o Pedro sobre isso?

REBECA (pausa significativa): Cada vez que eu falo com o Pedro, eu saio da conversa com mais perguntas do que entrei.

SORAIA (voz off, mais baixo): O que você tá querendo me dizer com isso?

REBECA: Nada ainda. Só que eu pre-
ciso ter certeza antes de pensar o que estou pensando.

Ela desliga. Fica olhando para o cad-
erno. Vira uma página. Escreve no topo, com letra firme: PEDRO. Fica olhando para o nome. Fecha o caderno. Abre de novo. O nome continua lá.

CORTA PARA:

CENA 08-EXT/PONTA DA SEREIA/ MAR ABERTO/VELEIRO AZUL- AMANHECER

Instrumental On:
https://youtu.be/41R6Ru_vt-Q?is=OxJH6...

Ao amanhecer no mar, Paulo tem um lampejo de memória: seu apartamento em Fortaleza, uma guitarra e uma foto. O impacto da lembrança é tão forte que ele se agarra à borda do barco para não cair.

MAX (percebendo): O que foi?

PAULO/ARIEL (ainda agarrado à borda, respirando): Eu vi alguma coisa. Uma imagem. Rápida demais.

MAX: O que você viu?

PAULO/ARIEL: Um apartamento. Com vista pra uma cidade grande. E uma guitarra. Eu acho que era minha.

MAX (quieto, aguardando): Mais alguma coisa?

PAULO/ARIEL: Uma foto numa gela-
deira. Eu não vi quem estava na foto. Mas eu senti... senti que era import-
ante. Que eu olhava pra ela todo dia.

MAX (suave): A memória tá voltando, Ariel.

PAULO/ARIEL (com uma mistura de esperança e medo): E se o que voltar mudar tudo? E se eu me lembrar de coisas que fazem eu não poder ficar aqui?

MAX: Aí você enfrenta. Mas você enfrenta sendo quem você já é. O ho-
mem que o mar devolveu não desapa-
rece quando a memória aparece. Ele só fica mais completo.

Paulo solta a borda. Olha o sol no hor-
izonte. O mar ao redor imenso, quieto, indiferente e ao mesmo tempo profun-
damente presente.

PAULO/ARIEL (para o mar, como se fosse uma pergunta): O que você sabe que eu ainda não sei?

O mar não responde. Mas o vento muda de direção.

Instrumental Off.

CORTA PARA:

CENA 09-INT/MANSÃO DE HERC-
ULANO/VELEIRO AZUL-DIA

Herculano olha para uma foto impre-
ssa numa folha A4. É Paulo tirada de longe, sem que ele percebesse, prova-
velmente pelo Genaro. Herculano a coloca sobre a mesa. Do outro lado, BONFIM (Irandhir Santos) o
vereador, está sentado com a incômoda postura de quem está prestes a dar uma notícia ruim.

HERCULANO: Você mandou a foto pra Fortaleza?

BONFIM: Mandei. Pra três contatos diferentes. Dois disseram que nunca viram. O terceiro...

HERCULANO (impaciente): O terceiro o quê, Bonfim?

BONFIM: O terceiro é um delegado aposentado que trabalhou no Centro. Disse que não tem certeza, mas que o rosto é parecido com o de um rapaz que desapareceu há uns três meses. Um advogado do Meireles.

Herculano fica imóvel. Apenas os olhos se movem uma análise rápida e completa.

HERCULANO: Nome?

BONFIM: Cavalcante. Paulo Cavalc-
ante. O caso foi arquivado como desa-
parecimento voluntário.

Longa pausa. Herculano levanta. Vai até a janela. Olha o mar.

HERCULANO (para si,devagar): Adv-
ogado. Do Meireles. Que aparece numa praia do interior sem memória e com-
eça a organizar pescadores contra mim.

BONFIM: Pode ser coincidência...

HERCULANO (virando pra ele, seco): Nada que me atrapalha é coincidência.
Ele pega a foto. Olha para o rosto de Paulo. Uma expressão nova no seu rosto não é raiva. É algo mais frio. Mais perigoso.

HERCULANO: Descobre tudo sobre o Paulo Cavalcante. Família. Negócios. Por que desapareceu. Quem está pro-
curando por ele.

BONFIM: E depois?

HERCULANO (guardando a foto no bolso): Depois a gente vê se é melhor devolver esse homem pra onde ele veio ou deixar ele onde está e controlar o que ele sabe.

CORTA PARA:

CENA 10-EXT/CEMITÉRIO DE VEL-
EIRO AZUL-ENTARDECER

Instrumental On:
https://youtu.be/aROcbp6baew?is=DpHv9...

Um cemitério simples, com cruzes de madeira e flores de plástico que resi-
stem ao vento do mar. Paulo está parado diante de um túmulo que tem uma fotografia esmaltada: uma mulher jovem, sorridente. A lápide diz: LUZ DIVINA – A VILA NUNCA VAI ESQUECER.

Jereba aparece ao lado dele. Tira o chapéu. Fica olhando para o mesmo túmulo.

PAULO: Quem foi ela?

JEREBA: Minha mulher. Morreu há dois anos. Intoxicação. Os médicos fal-
aram que foi o peixe. Mas todo mundo aqui sabe que foi a água do rio.

PAULO (olhando para a fotografia): Sinto muito, Jereba.

JEREBA: O Herculano foi no velório. Ficou em pé do lado de fora, de terno branco, como se fosse um anjo. Depois me chamou no canto e disse que lam-
entava muito, que ia fazer uma doação pra escola em nome dela.

PAULO: E você aceitou?

JEREBA (amargo): Não aceitei. E des-
de aí ele me odeia com prazer. Mas eu tinha seis filhos pra sustentar, então ficou nisso. Raiva dos dois lados e a gente fingindo que é só negócio.

PAULO: É por ela que você criou con-
fusão no porto?

JEREBA (depois de um silêncio): Todo dia que eu chego nesse porto,eu pesco pelo nome dela. Todo quilo que eles ro-
ubam de mim é um quilo que ela mor-
reu sem merecer. Então sim. É por ela.

Paulo olha para a fotografia por um longo tempo. A mulher na foto tem um sorriso que parece iluminar a pedra cinza ao redor.

PAULO: Jereba. Eu preciso que você confie em mim. Não pelo que eu fui, que eu não sei. Pelo que eu tô tentando fazer aqui.

JEREBA (colocando o chapéu de volta, olhando o Paulo nos olhos): Eu já con-
fio. Desde o dia da balança.

Ele vai embora. Paulo fica sozinho dia-
nte do túmulo da Luz Divina. O vento do mar passa entre as cruzes. Uma flor de plástico cai de um vaso. Paulo a apanha. Recoloca.

O sol desaparece. O cemitério fica azul. O mar, ao fundo, bate devagar.

FIM DO CAPÍTULO

3 days ago | [YT] | 6

CineNovelas

SE O MAR CONTASSE • Capitulo 04

escrita por: NATHAN FREITAS
Supervisão de: FELIPE EMANUEL E VANESSA COUTO
direção geral: DIOGO ITAMAR

🌊🌊🌊🌊🌊🌊🌊🌊🌊🌊🌊🌊🌊

CENA 01-INT/CASA DE MAX/VEL-
EIRO AZUL-MANHÃ

Trilha Sonora On:
https://youtu.be/yLDn84qqZ6g?is=_EzYd...

O sol ilumina a casa de Max, onde Paulo encontrou um refúgio seguro. Sentados à mesa, enquanto Max limpa os peixes, os dois compartilham um silêncio cúmplice e tranquilo.

PAULO/ARIEL: Max,eu tive um sonho hoje de madrugada.

MAX (sem parar de limpar o peixe): Bom ou ruim?

PAULO/ARIEL: Nenhum dos dois. Era uma mulher. De costas pra mim. Cabe-
los escuros. Ela estava olhando o mar, mas de outro lugar... não aqui. Uma cidade maior. Com prédios atrás dela.

Trilha Sonora Off.

MAX: Você viu o rosto?

PAULO/ARIEL: Não. Toda vez que ela ia se virar, o sonho mudava. Como se alguém não quisesse que eu visse.

Max pousa o peixe. Olha para Paulo com atenção.

MAX: Memória não volta de uma vez. Ela manda mensageiro antes. Sonho é mensageiro.

PAULO/ARIEL: E se for alguém que eu deixei pra trás? Alguém que tá me procurando agora mesmo e eu aqui, sem saber de nada?

MAX: Aí você tem que decidir o que fazer com isso.

PAULO/ARIEL: Como eu decido algu-
ma coisa sem saber o que é?

MAX (retomando o peixe, tranquilo): Você acorda todo dia, Paulo. Coloca os pés no chão. Come. Trabalha. Cuida de quem tá do seu lado. Isso já é uma deci-
são. Toda manhã você escolhe conti-
nuar, mesmo sem saber de onde veio. Isso não é pouca coisa.

Paulo olha pela janela. O mar lá fora, calmo, brilhando. Ele bebe o café devagar.

PAULO/ARIEL (baixo,quase para si): Cabelos escuros. Ela estava descalça na areia.

Max não responde. Apenas continua limpando o peixe. Mas há um brilho nos olhos velhos que não é indiferença.

CORTA PARA:

CENA 02-INT/ESCRITÓRIO DE PE-
DRO/MEIRELES/FORTALEZA-DIA

Pedro está ao telefone. Diferente dos primeiros dias, agora há uma leveza calculada nele, a de quem passou pelo risco e acredita ter chegado ao outro lado.

PEDRO: Não, doutor Isaías. Não pre-
cisa aguardar mais, não. Dá entrada no pedido de ausência essa semana. Quanto mais tempo passa, mais com-
plicado fica pra todo mundo, cara.

Bate na porta. Pedro levanta a cabeça. Entra Rebeca sem avisar, sem esperar, como alguém que não tem mais paciê-
ncia para protocolo.

PEDRO (ao telefone, disfarçando): Eu ligo depois.

Desliga. Sorri. Um sorriso que levou semanas para ficar convincente.

PEDRO: Rebeca! Você devia ter avi-
sado, eu teria...

REBECA (direto, sem sentar): Fui à câmera do porto, Pedro.

Uma pausa que dura exatamente um segundo a mais do que deveria.

PEDRO: O quê?

REBECA: A câmera do porto do Mucu-
ripe. Você disse que ia pedir pro dele-
gado, mas não pediu. Fui eu mesma. Pedi acesso às imagens da noite do desaparecimento do Paulo.

PEDRO (levantando,controlado): Reb-
eca, isso não é procedimento correto. Você deveria ter ido pela polícia...

REBECA: A câmera dessa noite tinha "problema técnico". Gravou só até as oito da noite e travou. Que coincidência interessante, né?

PEDRO: Câmera pública com problema técnico é a coisa mais comum do Brasil.

REBECA (mais perto,olhando nos olhos dele): Pedro, eu conheço você desde que o Paulo me apresentou, há quatro anos. Eu sei quando você está desconf-
ortável. E tu tá muito desconfortável agora.

PEDRO (sustentando o olhar, voz bai-
xa): Você está passando por um mom-
ento muito difícil. É normal procurar respostas em todo lugar....

REBECA: Eu não vim buscar consolo. Vim te avisar: eu não vou parar. Você precisava saber disso.

Ela sai. Pedro fica parado. Olha para a porta fechada. Depois para o telefone na mesa. Pega o aparelho. Disca.

PEDRO (quando atende, voz tensa): Ela foi atrás das câmeras do porto. Preci-
samos conversar. Agora.

CORTA PARA:

CENA 03-EXT/MERCADO DE PEIXE
/VELEIRO AZUL-MANHÃ

Instrumental On:
https://youtu.be/xUZ_IOp6ggE?is=4Kwqu...

O mercado de peixe de Veleiro Azul é um galpão aberto onde os barcos des-
carregam direto. É barulhento, úmido, cheio de vida. JEREBA (Kaysar Dadour) pescador de bigode farto e voz que compete com o vento, discute com Nerinho enquanto uma fila de pescadores aguarda. Paulo chega com Vitinho. Vê a discussão. Para.

VITINHO (baixo, para Paulo): Jereba descobriu que o caminhão do Hercu-
lano saiu ontem com o dobro do peixe registrado na balança. Tá com sangue nos olhos.

PAULO/ARIEL: E o que acontece se ele bater o pé?

VITINHO: Acontece o que sempre acontece. Nerinho chama reforço. A gente cede. E amanhã é tudo igual.

Paulo olha para Jereba, que agora aponta o dedo no peito de Nerinho. Os outros pescadores ficam para trás, quietos, com aquela quietude de quem quer que alguém faça o que eles têm medo de fazer.

PAULO/ARIEL (para Vitinho): Qua-
nto peixe foi embora no caminhão ontem?

VITINHO: Umas cento e cinquenta caixas. Registraram oitenta.

PAULO/ARIEL: Tem alguém aqui que sabe fazer conta? Que sabe escrever direito?

VITINHO (surpreso): Mozart foi professor antes de pescar. Por quê?

PAULO/ARIEL: Porque a gente vai começar a registrar tudo. Todo dia. Cada caixa, cada quilo, cada caminhão. Sem depender da balança deles e sem depender da boa vontade de ninguém.

VITINHO: E daí? De que adianta anotar se eles ignoram?

PAULO/ARIEL: Nenhuma corrupção sobrevive à prova documental sufici-
ente. Em algum momento, alguém com autoridade vai querer ver os números. E a gente vai ter os números.

Vitinho olha para Paulo por um mom-
ento. Depois para os pescadores ao redor. Algo muda no ar.

VITINHO (devagar,acreditando): Vo-
cê fala como advogado.

Paulo pisca. Uma faísca de reconhe-
cimento? Estranheza? Passa pelo seu rosto. Mas desaparece antes de virar memória.

PAULO/ARIEL (sacudindo a cabeça levemente): Falo como alguém que acha que a verdade tem que ter papel. Vamos falar com o Mozart.

Instrumental Off.

CORTA PARA:

CENA 04-INT/ESCOLA MUNICIPAL
/VELEIRO AZUL-TARDE

Uma sala de aula pequeníssima, com carteiras tortas e um quadro negro que já foi verde. MOZART (Herson Capri ) de óculos de aros grossos e mãos de quem trabalha com rede, mas ainda guarda a delicadeza de quem trabalhou com giz, ouve Paulo.

PAULO/ARIEL: A ideia é simples: cada barco tem um caderno. Cada saída tem registro de entrada e saída de caixas. A gente confronta com o que o Herculano anota e cria uma diferen-
ça documentada ao longo do tempo.

MOZART: E você acha que algum pes-
cador aqui vai querer assinar o nome num papel contra o Herculano?

PAULO/ARIEL: Não precisa assinar o nome de início. Precisa só anotar. Número, data, quantidade. Anônimo.

MOZART (pensando): Você sabe o que aconteceu com o Cleontes quando ele tentou organizar os pescadores em noventa e oito?

PAULOL/ARIEL: Não sei. Me conta.

MOZART: Perdeu o barco. O motor pegou fogo sozinho num dia de sol. O Herculano foi ao velório do barco com uma coroa de flores e um sorriso.

PAULO/ARIEL: E o Cleontes desistiu?

MOZART: O Cleontes tem filhos. Tinha família pra sustentar. Desistir não foi fraqueza, foi sobrevivência.

PAULO/ARIEL: Eu entendo isso. Eu não tô pedindo que ninguém seja herói. Tô pedindo que as pessoas anotem o que já sabem que é verdade. Só isso. O papel faz o trabalho pesado.

Mozart tira os óculos. Limpa com a barra da camisa. Coloca de volta.

MOZART: E você, Ariel? Você não tem família aqui. Não tem barco. Não tem o que perder, como disse a Pepita. Mas e se o Herculano decidir que você é o problema? O que faz com você?

PAULO/ARIEL (uma pausa longa, honesta): Não sei. Mas sei que se eu ficar quieto porque tenho medo, então eu virei a pessoa que aquele mar não devia ter devolvido.

Mozart olha para Paulo por um longo tempo. Depois abre a gaveta da mesa. Tira um caderno novo.

MOZART (pondo o caderno na mesa): A gente começa com os barcos que eu conheço. Seis, sete donos que vão con-
fiar no processo. Devagar.

PAULO/ARIEL (sorrindo,aliviado): Devagar tá ótimo. O mar é paciente. A gente pode ser também.

CORTA PARA:

CENA 05-EXT/PRAIA/VELEIRO AZUL-FIM DE TARDE

Instrumental On:
https://youtu.be/Q4R-g3Y09Lc?is=nGLoZ...

O dia vai embora com calma. A praia esvazia. Paulo caminha na beira d'
água sozinho, descalço, chutando areia molhada distraidamente. Lia aparece vindo do outro lado da praia. Os dois se encontram no meio, como se fosse combinado,mas não foi.

LIA: Ouvi que você convenceu o Mozart.

PAULO/ARIEL (andando ao lado dela): Ele se convenceu sozinho. Eu só dei o caderno..

LIA: Você está agitando muita coisa, Ariel.

PAULO/ARIEL: É bom ou ruim?

LIA: Depende do dia. Hoje eu acho que é bom.

Eles caminham em silêncio por um momento. O mar do lado. As gaivotas distantes.

PAULO/ARIEL: Lia, posso te pergu-
ntar uma coisa?

LIA: Pode.

PAULO/ARIEL: Você já teve que esquecer alguém de propósito? Não por amnésia por escolha?

Lia para. Olha para o mar. Uma hesi-
tação que não é evasão, é respeito pelo que vai responder.

LIA: Tive. Minha mãe biológica. Ela me deixou com sete anos na frente de uma igreja em Fortaleza com um bilhete que dizia que eu ia ser feliz longe dela. O Max me encontrou dois dias depois, dormindo numa caixa de papelão atrás da sacristia.

PAULO/ARIEL (suave): Você conse-
guiu esquecer?

LIA: Não. Mas aprendi a não deixar a lembrança morar no lugar do pres-
ente. Ela fica num cômodo separado. Eu visito quando quero. Fecho a porta quando preciso.

PAULO/ARIEL: Você é muito mais forte do que parece.

LIA (com um sorriso que mistura orgulho e ironia): Todo mundo aqui é mais forte do que parece. É o que o mar faz com a gente.

Paulo para. Olha pra ela. Há algo que ele quer dizer e não encontra palavra não porque não sabe falar, mas porque a palavra certa parece grande demais para a beira de uma praia.

PAULO/ARIEL: Eu não sei o que tenho lá atrás, Lia. Mas o que eu tenho aqui na frente isso eu sei reconhecer.

Lia o olha. Não responde. Mas a mão dela encontra a dele por um segundo leve, breve, real antes de ela retomar o passo.

CORTA PARA:

CONTINUA NO PRÓXIMO PÔSTER

3 days ago | [YT] | 9

CineNovelas

Quando o caviar encontra o chiclete de tutti-frutti. 🥂🍬

Camila Ventura nasceu sob um lustre de cristal. Herdeira de um império da moda que moldou gerações, ela aprendeu cedo que a vida tem um tom de voz baixo, um sorriso ensaiado e zero espaço para o improviso. Mas o destino irônico como só ele resolveu tirar o tapete debaixo dos pés dela: a grife quebrou, o noivo ideal fugiu e, pela primeira vez, Camila não tem um roteiro.
Aí entra Léo Bala, barulhento e dono de uma marca que é o oposto exato de tudo o que Camila considera "decente". Onde ela vê caos, Léo vê oportunidade. Onde ela mantém a coluna ereta, Léo dança com um pirulito na boca e o brilho do neon refletido nos olhos.
Ela o detesta por ser invasivo. Ele a intriga por ser tão... controlada.
É o choque entre a tradição que insiste em morrer e a modernidade que gruda como chiclete. Será que, por trás da ironia fina dela e do barulho constante dele, existe um espaço para algo real?
A moda é só o cenário. O problema mesmo, é o que acontece quando o filtro acaba.

Vanessa sempre viveu à sombra de Camila. Enquanto a irmã brilhava, ela acumulava o fel que hoje despeja como comentarista de moda na internet. Cada vídeo postado é um ataque cirúrgico, cada look minimalista, um grito de "eu quero o que é seu".
Mas a solidão do vilão é um fardo pesado, e ela encontrou em Marcos Duarte um aliado desesperado. Ele é o homem que fugiu do altar por ganância e voltou por necessidade. Arrogante, desastrado e um mentiroso convicto, Marcos transita entre o golpe e o ridículo.
Unidos pelo rancor, Vanessa e Marcos são a tempestade que Camila ainda não viu chegar.

Enquanto o Seu Chen tenta expulsar a tecnologia da lanchonete, a Nicole tá lá em cima da cadeira gravando trend pro TikTok e a Beatriz tá no canto, calculando quanto tempo falta pra todo mundo falir.
É o equilíbrio perfeito entre o "trabalho duro" e o "surto coletivo". Se você busca um lanche com tempero de tradição e uma dose de barraco em família, você tá no lugar certo.

#caleo #vanemar #costura #webnovela

3 days ago | [YT] | 11